Santa Catarina vira estrela da logística do Carnaval

Por Victor Fagarassi

- fevereiro 4, 2026

logística do Carnaval

O mercado brasileiro de itens para o Carnaval continua a crescer, mas os números indicam que os estados com maior consumo e impacto econômico nem sempre são os que mais importam diretamente. Essa informação vem de um estudo da Logcomex, abordando a logística para o feriado.

A pesquisa analisou as importações brasileiras de fantasias, adereços para festas, flores artificiais, penas, lantejoulas, chapéus, tiaras e outros acessórios usados em blocos de rua, escolas de samba e carros alegóricos, entre janeiro e novembro de 2025, comparando com o mesmo período de 2024. Os dados confirmam Santa Catarina como principal ponto de entrada desses produtos. As importações pelo Porto de Itajaí subiram 71%, indo de US$ 4,7 milhões para US$ 8,1 milhões. O Porto de São Francisco do Sul também teve aumento de 12%, passando de US$ 7,4 milhões para US$ 8,2 milhões.

Embora Santa Catarina não seja um grande consumidor final, o estado concentra a entrada e nacionalização dos materiais, que depois são enviados para São Paulo, Rio de Janeiro e outras regiões. Esse fluxo ressalta a posição do Sul como hub logístico para o setor.

A Região Sudeste responde por 43% do impacto econômico do Carnaval e segue como principal centro de consumo e redistribuição. O Porto de Santos manteve estabilidade, com US$ 8,9 milhões importados. Já o Porto do Rio de Janeiro cresceu 24%, passando de US$ 5 milhões para US$ 6,2 milhões, sinalizando maior importação direta para atender as escolas de samba e os blocos de rua.

“Os dados mostram uma centralização logística. Santa Catarina atua como porta de entrada, enquanto os grandes centros consumidores preferem comprar produtos já internalizados, o que simplifica as operações locais”, diz Helmuth Hofstatter, CEO da Logcomex.

Bahia e Pernambuco: grandes festas, menos importação direta

O contraste aparece na Bahia e em Pernambuco, estados com grandes festas carnavalescas. Em Pernambuco, onde Recife sedia o Galo da Madrugada, as importações diretas caíram. As compras pelo Porto de Suape recuaram 62%, de US$ 4 milhões em 2024 para US$ 1,5 milhão em 2025. Já a ALF Salvador (BA) teve queda de 35% no mesmo período.

No Norte, as importações pelo Porto de Manaus diminuíram 8%, passando de US$ 240,3 mil para US$ 222 mil. A dinâmica na região é influenciada pelo Festival de Parintins, que usa insumos especializados. A redução pode significar maior dependência da redistribuição nacional a partir de centros como São Paulo e Rio de Janeiro, atendendo também Roraima, Rondônia e Amapá.

“Essa dinâmica mostra que organizadores e fornecedores locais estão priorizando a compra de insumos já nacionalizados, principalmente do Sul e Sudeste. Assim, a disponibilidade de produtos no varejo regional depende mais do custo do frete interno e da eficiência da malha rodoviária e da cabotagem”, explica Hofstatter.

Essa centralização ocorre em um mercado em expansão. Entre janeiro e novembro de 2025, o valor total importado de itens para Carnaval e festas cresceu 10,8% ante 2024. O aumento foi puxado por “artigos para festas e carnaval”, que tiveram alta de 36%, de US$ 12,5 milhões para US$ 17,1 milhões.

Outro ponto é o pico das importações entre setembro e novembro de 2025, indicando que os preparativos para o Carnaval começam com meses de antecedência. A alta de itens como adornos para carros alegóricos reforça um modelo de planejamento mais centralizado.

Para Hofstatter, os números mostram que o abastecimento do Carnaval depende cada vez mais de planejamento logístico, antecipação e redistribuição nacional.

“O Carnaval segue crescendo, mas a forma de abastecimento mudou. Agora, eficiência logística, antecipação e capacidade de redistribuição são tão relevantes quanto a criatividade e a escala das festas”, finaliza Hofstatter.

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