Rio de Janeiro responde por 36,6% do prejuízo nacional com roubo de cargas

Por Victor Fagarassi

- setembro 9, 2026

Rio de Janeiro responde por 36,6% do prejuízo nacional com roubo de cargas

O roubo de cargas no Brasil passou por uma reorganização geográfica e operacional no primeiro semestre de 2026. Segundo o Report nstech de Roubo de Cargas, a região Sudeste concentrou 77,2% do prejuízo financeiro nacional no período, ante 60,5% nos seis primeiros meses de 2025.

O Rio de Janeiro foi o principal responsável pela mudança. O estado ultrapassou São Paulo e passou a liderar o ranking nacional, com 36,6% do prejuízo causado por roubos de cargas, contra 16,1% no mesmo período do ano anterior. O avanço foi de 20,5 pontos percentuais.

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Elaborado pela nstech, empresa de tecnologia para supply chain, o levantamento reúne informações das gerenciadoras de risco BRK, Buonny e Opentech, integradas à TNS (Transportation Network System).

“​​O estudo demonstra que a criminalidade logística no Brasil tem operado de forma dinâmica, com quadrilhas especializadas alternando as mercadorias visadas, os horários de ataque e as regiões de atuação. O risco muda rapidamente e exige monitoramento contínuo”, afirma Cristiano Tanganelli, vice-presidente de Inteligência de Mercado da nstech.

Medicamentos ganham espaço entre as cargas mais visadas

As cargas diversas ou fracionadas permaneceram na liderança nacional, respondendo por 36,6% dos prejuízos no primeiro semestre. O percentual representa alta de 4,1 pontos percentuais em relação ao mesmo período de 2025, quando a categoria concentrava 32,5% das perdas.

Os produtos alimentícios ficaram na segunda posição, com 24,6% dos prejuízos, resultado próximo aos 24,2% registrados no primeiro semestre do ano passado.

O maior avanço ocorreu no transporte de medicamentos. A participação do segmento nas perdas subiu de 2,8% para 19%, uma alta de 16,2 pontos percentuais. Com isso, o setor farmacêutico passou da sexta para a terceira posição no ranking, movimento associado à facilidade de revenda dos produtos no mercado paralelo.

Em sentido oposto, os cigarros perderam participação, passando de 26,4% para 6,3% dos prejuízos. O segmento caiu da primeira para a quarta posição. As perdas envolvendo eletrônicos também recuaram, de 7,9% para 1,5%.

Rio de Janeiro concentra prejuízos em áreas metropolitanas

O Rio de Janeiro liderou o ranking estadual com uma concentração significativa na Região Metropolitana. A capital respondeu sozinha por 20,1% do prejuízo nacional. Somados, Rio de Janeiro, Duque de Caxias, São Gonçalo e Nova Iguaçu concentraram 31% das perdas registradas no país.

São Paulo ficou na segunda posição, com 30,9% dos prejuízos, ante 34,2% no primeiro semestre de 2025. No estado, 57% dos roubos ocorreram em deslocamentos internos na rota entre municípios paulistas. O trajeto SP–SP respondeu sozinho por 17,6% das perdas nacionais.

Na lista de municípios paulistas, a capital concentrou 8,1% do prejuízo geral. Cajamar respondeu por 2,1%, enquanto São Bernardo do Campo, Miracatu e Santos registraram 2% cada.

Minas Gerais permaneceu na terceira posição entre os estados, com 9,3% dos prejuízos, ante 9,1% no ano anterior. João Pinheiro foi o principal município mineiro no levantamento, com 2,8% das perdas nacionais.

O Espírito Santo registrou 0,4% dos roubos, abaixo dos 1,2% observados no primeiro semestre de 2025. A região Norte teve a maior retração proporcional, passando de 16,7% para 2,3% dos prejuízos. No Pará, a participação caiu de 12,8% para 2,4%.

O Nordeste assumiu a segunda posição regional, com 14,3% das perdas. A Bahia foi o principal destaque, avançando de 2,7% para 4,8%. O Sul respondeu por 3,6% dos prejuízos e o Centro-Oeste, por 2,6%.

Crime avança na distribuição urbana e na madrugada

O levantamento indica uma migração dos ataques para etapas de distribuição interna e áreas urbanas. A participação dos trechos urbanos nos prejuízos praticamente dobrou, passando de 20,4% para 39,6%. O resultado reforça a exposição da chamada última milha logística, especialmente em regiões metropolitanas.

Entre as rodovias analisadas, a BR-101 foi a mais associada aos prejuízos no semestre, com 17,1% do total, ante 10,8% no primeiro semestre de 2025. A BR-116 ficou em segundo lugar, com 8,2%, contra 4,8% no período anterior.

A madrugada também ganhou relevância. A participação dos ataques nesse período subiu de 14,4% para 32,9%. A noite recuou de 38,6% para 24,5%, mas, somada à madrugada, ainda concentrou 57,4% dos prejuízos.

A manhã respondeu por 26,7% das perdas, enquanto a tarde representou 15,9%. Na distribuição por dias da semana, a quinta-feira permaneceu na liderança, com 22% dos prejuízos, embora tenha recuado em relação aos 25,7% do primeiro semestre de 2025.

As maiores altas ocorreram no início da semana. A participação das segundas-feiras subiu de 9,3% para 15,6%, e a das terças-feiras avançou de 9% para 14,3%. Aos domingos, o índice caiu de 13,2% para 5%.

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