Estudo revela que biometano supera diesel em custo e é carbono negativo

Levantamento global mostra biometano mais barato que diesel e com emissões até 75% menores; Brasil detém potencial para 41 bi m³/ano

Por Gustavo Queiroz

- setembro 9, 2026

Usina Cocal Narandiba

O biometano é apontado como solução madura e custo-eficaz para a descarbonização do transporte pesado global, com potencial de reduzir emissões em até 75% na comparação com o diesel fóssil, segundo estudo internacional encomendado pelo MBCBrasil. A pesquisa, conduzida por especialistas da USP, UNIFEI, IAC e Instituto Mauá de Tecnologia, consolida evidências científicas e econômicas que posicionam o combustível renovável como alternativa imediata para frotas de longa distância, integrando segurança energética e benefícios à economia circular.

O cenário global acelera a adoção do biometano, com a União Europeia projetando investimentos de € 37 bilhões para atingir 35 bilhões de m³ por ano até 2030, enquanto os EUA operam 470 projetos de gás natural renovável e a Índia contabiliza mais de 7,7 milhões de veículos a gás em circulação. O estudo destaca que o potencial sustentável mundial de biogás e biometano alcança cerca de 1 trilhão de m³ por ano, o equivalente a 25% da demanda global de gás natural, indicando uma trajetória consistente de expansão para o combustível em diferentes mercados.

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Para o Brasil, a oportunidade é dupla, pois além da abundância de matéria-prima — com potencial de 41,4 bilhões de m³/ano apenas no setor sucroenergético, dos quais menos de 2% são aproveitados — o país pode se tornar exportador de tecnologia e soluções integradas. A experiência nacional em biodigestores verticais de alta eficiência, sistemas de purificação e integração com fertilizantes de baixo carbono posiciona a indústria brasileira como fornecedora estratégica para países da América Latina, Ásia e África, que possuem base agrícola mas carecem de infraestrutura de biodigestão.

Em termos climáticos, a substituição do diesel por biometano reduz emissões de CO₂ equivalente em 45% a 75% no ciclo poço-à-roda, podendo atingir balanço net-negative de até -246% quando contabilizados os créditos pela eliminação de emissões fugitivas de metano. Economicamente, simulações de Custo Total de Propriedade (TCO) para frotas pesadas no Brasil indicam que o biometano pode variar de 30% mais barato a 25% mais caro que o diesel, com valores de US$ 1,73/km para GNC/biometano contra US$ 1,87/km do diesel, sem considerar receitas adicionais de créditos de carbono e biofertilizantes.

O estudo reforça que o biometano já é uma realidade operacional no Brasil, com plantas em usinas como Cocal, Raízen e São Martinho processando vinhaça e torta de filtro, e aterros sanitários como o de Paulínia (SP) com capacidade de até 225 mil Nm³/dia. O marco regulatório da Lei do Combustível do Futuro (14.993/2024), que criou o Certificado de Garantia de Origem de Biometano (CGOB), consolida o ambiente para investimentos, desacoplando a molécula física do atributo ambiental e permitindo que o país lidere não apenas na oferta de energia limpa, mas como polo exportador de inovação para a transição energética global.

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