Rerrefino fecha ciclo virtuoso na cadeia de lubrificantes

Os lubrificantes rerrefinados colaboram para a redução da pegada de carbono, incrementam a logística reversa na cadeia de lubrificantes

Por Victor Fagarassi

- junho 17, 2025

Os lubrificantes rerrefinados colaboram para a redução da pegada de carbono, incrementam a logística reversa na cadeia de lubrificantes

Enquanto a transição energética e o uso de combustíveis alternativos aos de origem mineral avança em ritmo lento no Brasil, o rerrefino de lubrificantes se coloca como uma boa solução para reduzir parte dos impactos ambientais na cadeia de lubrificantes. Não sem motivo, empresas como a Lwart vem reforçando seus investimentos no reaproveitamento do produto, o que deve reforçar a posição brasileira como uma das líderes globais nesse segmento industrial.

Andreza Frasson, Gerente Comercial na Lwart Soluções Ambientais
Andreza Frasson, Gerente Comercial na Lwart Soluções Ambientais

No exterior, especialmente na Europa, já há uma tendência crescente de lubrificantes “verdes”, que destacam em seus rótulos o uso de óleo rerrefinado, comenta Andreza Frasson, Gerente Comercial na Lwart Soluções Ambientais.

“Acreditamos que esse movimento chegará ao Brasil em breve, impulsionado pela demanda por operações mais sustentáveis“, afirma com convicção.

Embora o setor enfrente desafios logísticos e de fiscalização, o potencial do rerrefino é inegável. Além de reduzir a dependência de importações de óleos básicos, a atividade gera empregos, movimenta a economia circular e oferece uma alternativa viável para a descarbonização do transporte pesado.

“Precisamos de mais engajamento das autoridades e dos geradores de resíduos para que todo óleo usado retorne ao ciclo produtivo de forma legal e sustentável”, ressalta Andreza. Com investimentos em tecnologia e conscientização, o rerrefino pode se tornar um pilar ainda mais relevante na indústria brasileira de lubrificantes.

Pegada menor de carbono

Na visão da especialista, a tecnologia usada na produção de óleos lubrificantes rerrefinados no Brasil já é de altíssimo nível, possibilitando a entrega de produtos de ótima qualidade e uma grande vantagem ambiental.

“Não faltam estudos que comprovam que a pegada de carbono do processo é significativamente menor em comparação ao refino tradicional”, atesta a gerente. O processo fecha o ciclo de vida do óleo, que pode ser rerrefinado infinitamente, reduzindo a necessidade de extração de petróleo e minimizando resíduos perigosos.

coleta de óleo Lwart
Coleta de óleo lubrificante usado

A Lwart produz óleos rerrefinados do chamado Grupo 2, de acordo com a API (American Petroleum Institute). Isso significa uma qualidade superior aos produzidos em primeiro refino, classificados como Grupo 1, apesar dessa distinção não aparecer nos rótulos dos produtos finais ofertados nas prateleiras.

Mesmo assim, Andreza vê como positiva o surgimento de uma tendência por parte dos fabricantes de óleos lubrificantes, de enfatizar o uso de produtos mais sustentáveis, que diminuem a pegada de carbono sem abrir mão do desempenho, como é caso dos óleos rerrefinados.

Combate à coleta ilegal

Em que pese sua valiosa contribuição em benefício do meio ambiente, a indústria de rerrefino de óleo lubrificante encara um sério obstáculo, relacionada à logística reversa do produto. Andreza Frasson lembra que o país conta com uma legislação avançada, considerada referência global, que determina o rerrefino como único destino legal para óleos usados. “Porém, a fiscalização ainda é frágil, permitindo que parte significativa do material seja desviada para queima industrial ou outras aplicações não autorizadas”.

O principal entrave para ampliar esses benefícios ambientais está na coleta irregular. Estimativas do setor indicam que uma parcela considerável do óleo usado é absorvida por um mercado paralelo, onde o produto é comercializado sem rastreabilidade ou destinação adequada.

Para reverter esse cenário, empresas como a Lwart investem em campanhas educacionais, incluindo treinamentos para oficinas mecânicas, postos e transportadores. “Muitos geradores desse resíduo nem sabem que são co-responsáveis legalmente até que o óleo chegue à destinação final de forma correta”, explica o gerente comercial da empresa.

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