Renault define estratégia para atingir 8% do mercado

Por Freelers

- abril 3, 2012

Montadora quer aumentar produção de veículos e número de revendas

Montadora quer aumentar produção de veículos e número de revendas

Acompanhado por um comitê de executivos da matriz na França, Carlos Tavares, o vice-presidente de operações da Renault, esteve na última semana no Brasil para fechar as estratégias da montadora no país, onde está seu segundo maior mercado no mundo.

Entre as deliberações que marcaram sua passagem, ficou definido que, em maio, a filial brasileira começará a tirar do papel o projeto de expandir em 100 mil carros a capacidade da fábrica de São José dos Pinhais, no Paraná – hoje capaz de produzir 280 mil unidades por ano. A partir do mês que vem, a Renault inicia os trabalhos para liberar espaço à futura instalação dos equipamentos, uma fase que só deve ocorrer no fim do ano – provavelmente entre novembro e dezembro.

“Os primeiros preparativos vão começar em maio e o trabalho essencial será feito no fim deste ano”, informou Tavares, que assumiu as operações da Renault há nove meses, após dirigir nas Américas a área operacional da aliada Nissan.

A montadora francesa toca no país um programa que prevê investimentos de R$ 1,5 bilhão em expansão de capacidade e implantação de um centro de engenharia e desenvolvimento de produtos. Até 2016, o plano da Renault é sair dos 5,7% do ano passado e alcançar uma fatia de 8% dentro de um mercado que – em suas próprias contas – chegará perto de 4,3 milhões de carros.

Para fazer frente a essa evolução, a montadora quer alcançar uma cobertura de 90% do território nacional com sua rede de distribuição, a começar pela abertura de 31 revendas até dezembro. Atualmente, a Renault opera com 204 concessionárias.

Pesa contra os negócios no Brasil a escalada no custo de produção, que levou o país a perder espaço para a Colômbia

Segundo Tavares, os movimentos no Brasil se inserem em um contexto de internacionalização da marca. “De uma empresa de automóvel europeia, estamos nos transformando em um grupo automobilístico de envergadura global”. Ele cita que as vendas da Renault fora da Europa Ocidental saíram de 11%, em 1999, para 43% do total em 2011.

O crescimento de mercados na América do Sul, no Leste Europeu e na Ásia foram determinantes para a mudança na distribuição geográfica das vendas. À frente da Alemanha e da Rússia, o Brasil – onde as vendas da montadora somaram 194,3 mil em 2011 – só está atrás da França, o mercado de origem da Renault, cujos emplacamentos do grupo chegam perto de 700 mil unidades.

Por outro lado, ainda pesa contra os negócios no país a escalada no custo de produção local, um fator que já levou a marca a trocar o Brasil pela Colômbia como plataforma de exportação de alguns modelos, caso do Duster.

Em entrevista a jornalistas na sexta-feira, Tavares avaliou que o custo do trabalhador brasileiro é hoje similar a patamares observados nos Estados Unidos.

Assim como diversas outras montadoras, a Renault mantém negociações com sindicatos visando maior flexibilidade nas relações trabalhistas. Contudo, segue operando com três turnos de trabalho em São José dos Pinhais – mesmo após ver uma estagnação da indústria de veículos nos primeiros meses do ano. Nas estimativas da empresa, o mercado nacional de carros deve crescer de 3% a 4% em 2012.

Em sua passagem por São Paulo, Tavares foi cauteloso ao comentar as políticas do governo brasileiro para o setor, mas observou um pragmatismo nas medidas que atingiram em cheio as importações de carros. “Faz muito sentido proteger aquilo que já existe (no país) em relação ao que não existe”, disse o executivo português.

No momento em que o Planalto estuda novas medidas para estimular a nacionalização dos carros, Tavares disse que é de interesse de sua montadora trabalhar com fornecedores locais, de forma a não se expor a variações cambiais nas importações de componentes.

Apesar de parte dos componentes – caso de alguns eletrônicos – ainda não ser encontrada no Brasil, Tavares acredita que o crescimento da Renault no mercado brasileiro será um estímulo para atrair ao país novos fornecedores da marca em outras regiões do mundo.

Valor Econômico

Compartilhe nas redes sociais

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *