Reforma de implementos vira alternativa em tempos de crise

Diante da falta de crédito, transportadores recorrem à reforma dos implementos rodoviários em lugar da compra de um novo

Por Victor Fagarassi

- julho 30, 2025

Reforma de implementos

Pouca disponibilidade de crédito, uma alta taxa de juros e pouca confiança no momento atual da economia brasileira. Todos esses fatores combinados levaram o mercado de implementos rodoviários a registrar uma queda de 20% nos volumes no primeiro semestre do ano, segundo a ANFIR, que reúne os fabricantes do produto. Apesar do cenário sombrio, situação bem diferente vive o mercado de reforma de implementos que segue acelerado.

Osmar Santos, CEO da 4Truck
Osmar Santos, CEO da 4Truck

“O movimento de reformas aquece na crise, como acontece com os automóveis usados. Quando a situação aperta, o pessoal corre para as oficinas, ao invés de comprar um carro novo”, comenta Osmar Santos, CEO da 4Truck, fabricante de implementos que também atua no ramo da reforma. O executivo endossa a previsão de queda nas vendas da Anfir, em especial por conta do alto custo do financiamento. “Quando a taxa de juro está a 15% ao ano, a conta não fecha. O transportador segura o investimento e busca a reforma ou a compra de um usado”.

Segundo o especialista, grandes frotistas trocam o implemento a cada cinco anos, em média. Porém, em momentos de baixa do frete, conseguem flexibilizar suas regras e estender a vida útil dos implementos por mais um ou dois anos. Já o perfil de quem reforma é o pequeno transportador ou autônomo, que precisa estender a vida útil do produto por 10, 15 anos. Nesse caso, a saúde do mercado produz um efeito brutal, ao incentivar o comprador em buscar a opção mais em conta.

Garantia estendida

Baús de alumínio com avarias representam 60% da reforma de implementos
Baús de alumínio com avarias representam 60% da reforma de implementos

Entre os vários tipos de implementos, o baú de alumínio é o que mais necessita de reforma, por conta das facilidades de sofrer avarias com batidas ou galhos durante a operação. Segundo Osmar, esse modelo representa cerca de 60% das vendas. Entre os serviços mais comuns destacam-se o conserto de estrutura (amassados), vedação (infiltração), elétrica (luminárias) e fixação (parafusos e grampos). Uma vez que o prazo médio da reforma é de três anos, a 4Truck já estuda aumentar a garantia dos produtos novos de um para dois anos.

Vale lembrar que a reforma não necessita de uma nova homologação do implemento, salvo se as características do conjunto forem alteradas. “Isso só ocorre quando cliente quer mudar o tipo de carroceria. Por exemplo, na troca de um baú fechado por carroceria aberta, instalar um tanque extra ou alongar o chassi”.

Uma vez reformado, o implemento fica em condições próximas à original, sem quaisquer restrições operacionais. Mas o CEO alerta para alguns cuidados básicos recomendados. “É preciso evitar o uso de produtos químicos agressivos na lavagem, especialmente nos baús de alumínio e cuidar para fazer a amarração correta da carga, evitando o ripamento indevido”.

Reformas em alta

Nas contas de Osmar Santos, a 4Truck acusou uma queda de 15% nas vendas de implementos novos entre janeiro e junho de 2025. E, ainda, um aumento de 20% nas reformas, com tendência e alta. “Se o crédito continuar difícil até o final o ano, é certo que as empresas vão adiar a compra de novos e investir na reforma. É histórico”, atesta o CEO da empresa.

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