Um segundo semestre de retomada e reversão dos fatores que penalizaram a indústria de veículos comerciais e autopeças. Foi assim que o diretor-corporativo de Relações com o Investidor do grupo Randon, Astor Schmitt, projetou os próximos meses da economia brasileira. O executivo, que foi palestrante na reunião-almoço Tá na Mesa, da Federasul, apontou que as empresas de Caxias do Sul devem entrar 2013 em ritmo acelerado.
“Todos os investimentos que projetamos para os próximos cinco anos estão mantidos. O que fizemos foi, em função da conjuntura do primeiro semestre, revisar os cronogramas. Com isso, a previsão inicial de aplicar R$ 400 milhões ainda em 2012 foi recalculada para R$ 230 milhões nesse ano. E, à medida que aconteça a recuperação econômica, vamos recuperando os investimentos atrasados”, explicou.
Segundo Schmitt, a resistência do mercado à troca do padrão dos motores (que passaram do modelo Euro 3 para o modelo Euro 5 na virada do ano) foi maior do que a projetada pela companhia, mas deve ser revertida com a aproximação do final do ano. Da mesma forma, ele acredita que a economia brasileira terá um grande impulso do setor agrícola, tanto porque a safrinha de inverno foi boa, quanto pela previsão de que no verão de 2013 não se repita estiagem.
“Os indicadores que temos mostram a tendência de reversão. O que não sabemos dizer é a velocidade com que as coisas vão melhorar. Mas o mais provável é que o grupo entre 2013 com o pé no acelerador, assim como fizemos em 2011. E ao contrário do que foi 2012”, detalhou ele, que lembrou da dificuldade de implantação de um novo padrão de combustível (diesel) para atender à frota nova. “São mais de 40 mil postos de combustíveis em todo o País. É claro que não se coloca um novo tipo de diesel em todos eles do dia para a noite.”
Além da questão da migração dos motores, Schmitt disse que a estiagem que assolou o Rio Grande do Sul e os países do Mercosul castigou muito a empresa no primeiro semestre do ano, assim como a economia brasileira, que cresceu menos de 1% nos seis primeiros meses. Segundo ele, no período a receita da companhia caiu cerca de 20%. Esse percentual pode provocar “um tranco” na trajetória de crescimento do grupo, que registra média de 15% ao ano em receita desde 1996.
“Mas nada disso deve ofuscar a visão de longo prazo”, ponderou. O grupo Randon registrou receita de R$ 6,3 bilhões no ano passado e gerou 12% de suas receitas no exterior. Para esse ano, o executivo projeta um crescimento de 30% nos negócios feitos fora do Brasil em 2012, o que elevaria a participação das unidades internacionais a algo perto de 20% das receitas.
Schmitt afirmou que a companhia conseguiu, em parte, reduzir o impacto da retração argentina exportando a produção de lá (a fábrica fica em Rosário) para o Brasil. Já as exportações a partir do Brasil (onde a empresa tem oito plantas industriais no Rio Grande do Sul, uma em Santa Catarina e outra em São Paulo), devem igualar em 2012 o patamar de 2011: US$ 294 milhões. “A economia parou de piorar. Agora deve começar a reverter”, resumiu ele.
Conteúdo local para montadoras deve ser gradual O decreto que institui o regime automotivo para o período de 2013 a 2017 deve instituir o atual patamar de exigência de conteúdo nacional nos veículos, de 65%, e, gradativamente, elevar esse percentual ao logo de cinco anos, afirmou Bruno Jorge Soares, líder de projetos do setor automotivo da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), entidade do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic) que participa das discussões das novas regras para o setor.
As montadoras que atingirem a meta poderão abater até 30 pontos percentuais da alíquota do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) incidente sobre os automóveis, que no caso de um carro popular (1.0) chega hoje a 37%. Acima disso, o IPI pode ser reduzido se as montadoras atingirem metas de investimentos em pesquisa e desenvolvimento (P&D) e engenharia.
“Em 2013, para não haver uma ruptura muito grande com o quadro atual, a exigência de conteúdo local começará no mesmo nível observado atualmente e vai apertando até 2017”, disse Soares. O percentual de IPI pago pela montadora será definido por um fator multiplicador sobre a nota fiscal de manufatura das peças dos veículos – em 2013 esse multiplicador começará em 1,3. Ou seja, o valor total de peças e processos nacionais contidos no veículo será multiplicado por 1,3.
Jornal do Commercio – PE
