Produção de ônibus cresce em 2025

Por Victor Fagarassi

- janeiro 21, 2026

produção de ônibus 2025

Diante de um cenário econômico desafiador, o setor brasileiro de ônibus registrou, em 2025, um avanço de 1,7% na fabricação, alcançando a marca de 27.516 veículos produzidos — englobando vendas domésticas e exportações. No ano anterior, o total havia sido de 27.067 unidades. A análise é do diretor do Sindicato Interestadual da Indústria de Materiais e Equipamentos Ferroviários e Rodoviários (SIMEFRE), Ruben Bisi (foto).

Em sua avaliação, a reposição de veículos antigos permanece como o principal motor de procura, tanto para o transporte urbano quanto para o rodoviário. “Ainda que enfrentemos um contexto de encarecimento do crédito e pressão nos custos, a atividade industrial se manteve estável e encerrou o período com discreta elevação, o que reflete a capacidade de resistência do segmento”, pondera.

Investimentos em infraestrutura e mobilidade, com ênfase no PAC 3 Mobilidade, assim como aquisições de veículos escolares por meio do programa Caminho da Escola, do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), ajudaram a sustentar o ritmo produtivo ao longo do ano. No âmbito escolar, os editais mantiveram um volume expressivo de compras, dando suporte à demanda fabril.

onibus 2025Ônibus de turismo

O mercado de turismo também se mostrou dinâmico em 2025, alimentado pelo aumento na procura por deslocamentos rodoviários de passageiros dentro do país. A transição para a eletromobilidade seguiu ganhando espaço. “A fabricação de ônibus elétricos cresceu de forma acentuada em comparação com 2024, confirmando uma trajetória que tende a se fortalecer nos próximos anos”, sublinha Bisi.

O dirigente lembra que os reflexos da pandemia e os reajustes na cadeia produtiva levaram ao envelhecimento da frota em circulação, com alta considerável na idade média dos veículos. “Apesar dos desempenhos positivos de 2024 e 2025, ainda há espaço significativo para recuperação comercial, que esbarra em obstáculos como taxas de juros elevadas, preço de matérias-primas, valor dos combustíveis e a diminuição no número de passageiros”, analisa.

Outra preocupação destacada pelo SIMEFRE é a competição com fabricantes estrangeiros. “Embora a indústria nacional tenha evoluído tecnologicamente, especialmente na área de ônibus elétricos, é preocupante a entrada de produtos chineses que não arcam com o chamado ‘custo Brasil’ e contam com subsídios cruzados, o que prejudica a igualdade nas condições de concorrência”, afirma.

Para 2026, a projeção é de repetir o patamar de produção de 2025, com chance de recuo moderado em alguns mercados. Com o objetivo de acelerar a descarbonização do transporte coletivo, Bisi defende a implementação de políticas públicas focadas na renovação da frota. “Um dos mecanismos mais eficientes seria estimular a retirada de circulação dos aproximadamente 75 mil ônibus com mais de duas décadas de uso que ainda operam no país”, finaliza.

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