Preço do diesel cai, mas transportadoras ainda enfrentam aumento de custos

Por Victor Fagarassi

- junho 18, 2026

Preço do diesel

O preço do diesel S10 vem apresentando sinais de estabilização após a forte escalada registrada entre março e abril deste ano. No entanto, apesar do recuo observado nas últimas semanas, o combustível continua significativamente mais caro do que no período anterior ao agravamento das tensões geopolíticas no Oriente Médio.

Dados levantados pela TruckPag, empresa especializada em meios de pagamento e gestão de abastecimento para frotas pesadas, mostram que o preço médio nacional do diesel S10 chegou a R$ 6,64 por litro nesta semana. O valor representa uma alta acumulada de 15,6% em comparação aos R$ 5,93 por litro registrados em 28 de fevereiro, data que antecedeu o aumento das incertezas no mercado internacional de petróleo. Ao longo do período, o combustível atingiu seu ponto mais elevado em 5 de abril, quando chegou a R$ 7,43 por litro. Desde então, o mercado iniciou um movimento de acomodação. Atualmente, o diesel está R$ 0,79 abaixo daquele pico, uma redução de 10,6%.

Alta acelerada em apenas um mês

A evolução dos preços mostra a velocidade com que o mercado reagiu ao cenário internacional. Na primeira semana de março, o diesel S10 era comercializado, em média, por R$ 5,93 por litro. Quatro semanas depois, o valor médio já havia alcançado R$ 7,39 por litro.

O aumento de aproximadamente 24,6% em apenas um mês elevou os custos operacionais de empresas de transporte em todo o país e impactou diretamente a formação do frete rodoviário. Após esse período de alta, os preços passaram a registrar quedas graduais, acompanhando a redução das pressões sobre as cotações internacionais do petróleo.

Os dados mais recentes apontam para um cenário de estabilidade. Durante a semana atual, o diesel apresentou pequenas reduções diárias, passando de R$ 6,70 por litro no domingo para R$ 6,64 por litro na quarta-feira.

Embora o movimento seja moderado, ele sinaliza uma desaceleração das oscilações observadas nos meses anteriores. A expectativa do mercado é que a continuidade da queda das cotações do petróleo Brent, aliada a um câmbio favorável, possa contribuir para novos ajustes nos preços do combustível ao longo das próximas semanas.

Nordeste registra as maiores altas

A análise regional revela que os estados do Nordeste foram os mais impactados pela valorização do diesel desde fevereiro. O Piauí lidera o ranking, com aumento de R$ 1,54 por litro no período. Em seguida aparecem Bahia (+R$ 1,30), Pernambuco (+R$ 1,29), Maranhão (+R$ 1,19) e Ceará (+R$ 1,16).

Segundo a TruckPag, esse movimento amplia os custos do transporte para a região, pressiona as margens das transportadoras e reforça a necessidade de estratégias de controle de abastecimento e planejamento de rotas.

Nas regiões Sul e Sudeste, as variações foram menos intensas. No Sul, os aumentos acumulados foram de R$ 0,82 por litro em Santa Catarina, R$ 0,83 no Paraná e R$ 0,64 no Rio Grande do Sul, estado que registrou a menor alta da região. Já no Sudeste, os reajustes acumulados chegaram a R$ 1,06 por litro no Espírito Santo, R$ 1,01 em Minas Gerais, R$ 0,92 em São Paulo e R$ 0,87 no Rio de Janeiro.

Impacto direto nas transportadoras

Apesar da retração observada desde abril, o diesel ainda não retornou aos níveis registrados antes da escalada dos preços. A diferença entre os R$ 5,93 por litro registrados em fevereiro e os atuais R$ 6,64 representa um acréscimo de R$ 0,71 por litro.

Para uma transportadora de médio porte que consome cerca de 100 mil litros de diesel por mês, essa variação significa um gasto adicional de aproximadamente R$ 71 mil mensais com combustível. O cenário reforça a importância do monitoramento constante dos custos operacionais e da adoção de ferramentas de gestão de abastecimento, especialmente em um momento em que a rentabilidade do transporte rodoviário continua pressionada pelos preços dos insumos.

Embora o mercado tenha recuperado parte das altas registradas no início do ano, o diesel permanece em um patamar superior ao observado antes da crise internacional, mantendo o combustível como um dos principais desafios para a gestão financeira das frotas.

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