Terreno para receber caminhão ainda não foi escolhido; transporte de soja se intensifica em fevereiro. Representante do porto de Santos diz que toda a estrutura necessária para evitar filas estará pronta até o dia 30. A Companhia Docas do Estado de São Paulo e a Secretaria estadual de Transportes anunciaram plano para evitar que repitam neste ano as filas de caminhões em direção a Santos (SP) que marcaram a safra da soja em 2013.
O ponto central do plano é a fiscalização do agendamento obrigatório da chegada dos veículos aos terminais. Porém, hoje não há estacionamentos suficientes para abrigar os caminhões, em um ano em que a safra de soja deve ser recorde. O transporte do grão começa a ficar forte a partir do mês que vem. Hoje, os terminais já precisam determinar as datas de chegada e saída dos veículos, mas não existe um controle efetivo. A proposta para este ano é identificar, por meios eletrônicos, as placas dos caminhões e, assim, confirmar se os agendamentos estão sendo cumpridos. A concessionária da rodovia fará o acompanhamento do tráfego e avisará a Codesp em caso de descumprimento.
Mas a responsabilidade por “segurar” o caminhão será do terminal, que deverá orientar o motorista a voltar ao pátio e esperar o horário marcado. Se isso não ocorrer, o terminal poderá ser multado ou sofrer outras punições. O problema é que não há estacionamentos suficientes para os caminhões que transportam a soja, que neste ano pode chegar ao recorde de 90 milhões de toneladas. E os novos pátios que a Codesp anunciou ontem dificilmente ficarão prontos a tempo –a estatal ainda avalia terrenos candidatos a receber os estacionamentos.
“Não é de uma hora para outra que se constrói um pátio com as instalações necessárias para atender toda a demanda”, diz Nicolau Bissoni, dono da Transportadora Botuverá, de Mato Grosso.Os pátios precisam ter banheiro, refeitório e alojamento. O superintendente da Codesp, Oswaldo Barbosa, admite que faltou agilidade na execução do projeto em 2013, mas diz que toda a estrutura necessária para evitar filas estará pronta até o dia 30. A Folha apurou, no entanto, que grandes usuários do porto não foram chamados para elaborar a versão final do projeto, participando apenas de conversas iniciais. Alguns não estão cientes das mudanças programadas, o que pode gerar atrasos. Para Edeon Vaz Ferreira, diretor do Movimento Pró-Logística da Aprosoja (associação dos produtores de soja de Mato Grosso), o plano não resolve o gargalo, só muda o problema de lugar. “A carga vai ficar represada na origem. Como não temos locais adequados para segurar o produto, o caminhão vai virar armazém”, diz.
FONTE: Folha de São Paulo – SP









