Mesmo assim, fabricantes lamentam a queda das vendas junto à indústria automotiva e a grande participação dos produtos importados
Apesar de ter registrado uma brutal queda nas vendas junto a seu principal cliente – as montadoras de veículos – a produção brasileira de pneus nos nove primeiros meses de 2014 conseguiu repetir quase o mesmo desempenho do ano passado, no comparativo dos dois períodos. De acordo com a Anip, que reúne os fabricantes de pneumáticos no Brasil, a produção acumulada atingiu a marca de 51,91 milhões de unidades, ante 51,40 milhões registrados em 2013.
Alberto Mayer, presidente executivo da entidade, credita o resultado ao grande crescimento da frota nos últimos anos, que permitiu ao mercado de reposição acusar uma expansão da ordem de 10,4%. Mayer, porém, lamenta a redução de 18,5% nas vendas para montadoras, que caíram de 17,51 milhões para 14,28 milhões de unidades. “Nosso setor depende muito do desempenho da indústria automotiva, que teve um resultado ruim nos primeiros nove meses”, explica. Segundo o executivo, a queda das vendas atingiu as principais categorias de pneus, com destaque para os veículos de passeio (-19,4%), depois carga (-19,3%), camionetas (-17,4%), duas rodas (-16,0%) e agrícola (-18,2%).
A grande participação dos produtos importados, que responderam por quase 40% do suprimento ao mercado nacional, também mereceu reparos do presidente da entidade. “Não somos contra importações que, inclusive, são necessárias para atender a determinadas faixas de produtos cuja demanda não justifica a produção no país. Só não queremos a concorrência desleal, com dumping nos preços ou, como acontece muitas vezes, sem que o importador suporte o custo de logística reversa pelos pneus que trazem do exterior”, protesta o excecutivo.
Em que pese esse quadro sombrio, Alberto Mayer aposta na mudança do cenário. “Esperamos que a previsão de melhoria para o final de 2014 se torne realidade. Embora é certo que terminaremos o ano com queda no fornecimento global a montadoras dos diversos setores, o que compromete os planos de expansão da nossa indústria, que já tem capacidade ociosa”, diz o presidente da ANIP.
