Mercado de implementos rodoviários fecha 2025 em queda e projeta 2026 desafiador

Por Victor Fagarassi

- fevereiro 6, 2026

Mercado de implementos rodoviários

O setor de implementos rodoviários encerrou 2025 com uma queda de 20% no volume geral de vendas em comparação com o ano anterior. É o que diz os números da Associação Nacional dos Fabricantes de Implementos Rodoviários (ANFIR), divulgados nesta última quinta-feira (5). José Carlos Spricigo, presidente da entidade, explicou que a retração foi puxada principalmente pelas famílias de produtos voltadas ao agronegócio. O segmento de graneleiros, maior família do setor, recuou 31%. Os basculantes também tiveram queda expressiva, de 30%.

Algumas pontas específicas apresentaram desempenho positivo ou menos negativo. O mercado de tanques registrou queda menor, de 10%. Já o segmento de baús e carrocerias de carga geral, especialmente as de alumínio, foi uma exceção, registrando crescimento de 12% em 2025. Esse desempenho é atribuído, segundo Spricigo, ao forte impulso do e-commerce e à mudança no comportamento do consumidor.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Mercado de implementos rodoviários pela ANFIR em 2025

Exportações e cenário macroeconômico

As exportações, cujos dados finais ainda serão consolidados, apresentaram um “crescimento muito grande” em 2025, com destaque para mercados como Paraguai e Chile, sendo que este último deve retomar as compras em 2026. No entanto, o presidente destacou que o cenário macroeconômico permanece desafiador.

Spricigo listou diversos “pontos de atenção” que impactaram o setor no ano passado e devem seguir relevantes. Juros altos e crédito restrito, com alta inadimplência no sistema financeiro, dificultam os investimento; Assim como incertezas fiscais, já que essa implementação complexa e impostos sobre dividendos podem gerar instabilidade para investidores. O executivo também citou o gargalos logísticos, alta carga tributária e políticas tarifárias comerciais do exterior como outros pontos de atenção, analisando o cenário macro.

Projeções para 2026 e recuperação da frota

Para 2026, a ANFIR projeta a produção de aproximadamente 70.000 unidades de reboques e semirreboques, volume semelhante ao de 2025, mas com mudança no perfil. Espera-se uma recuperação das famílias basculante e graneleiro, que devem responder por 40% do total, impulsionadas pela previsão de safra recorde de grãos (350 milhões de toneladas) e pela nova tabela de fretes, que remunera melhor por eixo.

O segmento de tanques deve ter uma leve recuperação, com expectativa de chegar a 6.000 unidades (ante 5.000 em 2025). O baú de alumínio deve manter sua participação de 12% e pode crescer ainda mais na linha leve.

Um fator positivo destacado é o Programa de Renovação da Frota, que no primeiro mês financiou 1.100 caminhões e movimentou R$ 1,3 bilhão, atingindo 528 CNPJs diferentes. “Tá atingindo até o menor transportador, que é bom para uma renovação de frota”, afirmou Spricigo. No entanto, o programa atualmente não contempla implementos, uma lacuna que a entidade busca corrigir.

Ociosidade e desafios

Apesar das projeções, Spricigo revelou que a ociosidade na indústria de implementos pesados é de, no mínimo, 30%. “Nós poderíamos entregar 100.000 unidades tranquilamente, tem capacidade para isso”, disse, acrescentando que a situação exige que as empresas façam “muito bem o seu dever de casa” para superar o momento.

Spricigo também comentou sobre a alta demanda por produtos usados em 2025, principalmente rodotrens, que impactou as vendas da indústria nova. “Esse ano não deve acontecer, esse ano vai ter compra de produtos novos”, projetou.

O início de 2026, contudo, não foi animador. As vendas de reboques e semirreboques em janeiro caíram 30% na comparação com janeiro de 2025, uma queda classificada como “inesperada” pelo porta-voz, que a atribuiu a férias coletivas mais longas e ao cenário ainda difícil de crédito.

José Carlos Spricigo se diz cauteloso, mas otimista,  aguardando uma efetiva redução dos juros, do controle fiscal e da recuperação da rentabilidade do transportador brasileiro ao longo do ano para melhorar os números.

mercado de implementos rodoviários terminou 2025 em baixa
Programa Move Brazil deve impactar indiretamente a produção de implementos rodoviários. “Apesar de não ter citação direta do segmento por lá, o caminhão que será adquirido por lá, não vai andar sozinho.” Diz Spricigo
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
Compartilhe nas redes sociais

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *