Como resultado direto da queda das vendas de veículos no mercado brasileiro, que já esbarram em recuo de 10% este ano, as remessas de lucros de dividendos das montadoras instaladas no Brasil às suas matrizes no exterior também despencaram. Segundo dados do Banco Central divulgados na última sexta-feira (22), de janeiro a julho os fabricantes remeteram US$ 663 milhões, o que significou expressivo declínio de 70% em comparação ao mesmo período de 2013, quando foram enviados US$ 2,2 bilhões.
Apesar do recuo, as montadoras representam este ano o quarto setor que mais envia lucros ao exterior, e surpreendem pelo fato de continuar a fazer remessas quando reclamam que a rentabilidade no País acabou com a queda do mercado. O BC (e muito menos as empresas) não divulga quanto cada fabricante remete para fora, mas o resultado comprova que ainda existem aquelas que conseguem lucrar mesmo em cenário recessivo.
Em 2013 inteiro as remessas de lucros somaram US$ 3,3 bilhões e as montadoras voltaram a ser as campeãs de envios de recursos de exterior entre todos os setores empresariais no Brasil. Ficaram longe do recorde de 2011, quando remeteram US$ 5,7 bilhões, mas essa variação para baixo é plenamente explicada pela valorização do dólar diante do real naquele período.
Este ano também caiu substancialmente outro canal de remessa de recursos: os investimentos diretos das montadoras instaladas no Brasil em outros países (essencialmente na Argentina) foram de apenas US$ 69 milhões nos primeiros sete meses de 2014, em queda de 93% sobre os US$ 977 milhões do mesmo período do ano passado. Em 2013 inteiro as remessas dos fabricantes de veículos a título de investimento no exterior atingiram US$ 1 bilhão.
