ANTT adotará um modelo mais alinhado com os interesses das operadoras de ônibus
Nos últimos seis anos, a possibilidade de licitação do transporte rodoviário interestadual foi um verdadeiro fantasma não apenas para as operadoras do serviço, mas também para as montadoras de ônibus, que têm nesse mercado um de seus grandes filões. Sem a garantia de que continuariam com as linhas, as empresas de viação não se sentiam seguras para investir na frota, esvaziando cada vez mais as carteiras de pedidos dos fabricantes desses veículos e suas encarroçadoras.
Há um mês, o governo derrubou o processo de licitação das linhas interestaduais. Após sucessivos revezes, o imbróglio vinha se arrastando desde 2008, quando as empresas passaram a operar com licenças de caráter provisório após o vencimento de licenças concedidas 15 anos antes.
A exemplo do que já acontece na aviação civil, o serviço passa a se dar sob o sistema de autorização da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), num modelo mais alinhado com os interesses das operadoras de transporte coletivo – antes preocupadas com a redução nas taxas de retorno do negócio em processos licitatórios que poderiam limitar as tarifas.
Em volume, o segmento rodoviário não é o maior dentro do mercado de veículos coletivos. Sua participação, de 15%, fica atrás das linhas de ônibus urbanos (40%) e de transporte escolar (30%). Mas essa é a categoria que traz maior nível de equipamentos e tecnologia agregada, onde, portanto, pratica-se preços mais altos do que nas demais linhas. Por conta das indefinições que vinham, até então, atrasando os investimentos das companhias de viação, as vendas desses ônibus recuam cerca de 26% neste ano, acima da média de toda a indústria, que cai quase 14%.
Estima-se que a ANTT levará entre seis meses e um ano para regulamentar o sistema de autorização das operadoras, estabelecendo, por exemplo, padrões de qualidade do serviço e especificações técnicas dos veículos.
FONTE: VALOR ECONÔMICO
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