Inviabilização das metas de CO₂ pode matar indústria de caminhões europeia

Daimler Truck alerta que regulamentação e realidade do mercado precisam estar alinhadas ou montadoras perecerão uma a uma

Por Gustavo Queiroz

- setembro 13, 2026

Karin Rådström

Diante de jornalistas de todo o mundo, a Daimler Truck reafirmou o seu compromisso com a descarbonização do transporte rodoviário de mercadorias e, alinhada ao restante da indústria europeia de veículos comerciais, já colocou em produção em série um amplo portfólio de caminhões elétricos a bateria. Apesar desse avanço industrial, a velocidade de adoção pelo mercado permanece insuficiente para o cumprimento das metas climáticas estabelecidas pela Comissão Europeia, que determinam uma redução de 43% nas emissões de CO₂ para novos veículos comerciais pesados até 2030, tendo como base o ano de 2019.

O descompasso entre a regulamentação e a realidade operacional coloca os fabricantes diante de um risco financeiro de proporções potencialmente existenciais. A maioria dos mercados europeus ainda não dispõe de fornecimento de energia abrangente, sobretudo a preços competitivos, nem da infraestrutura de recarga necessária para sustentar a operação em larga escala desses veículos.

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Como consequência direta, a participação de mercado dos caminhões elétricos a bateria pesados na Europa atingiu apenas 2% em 2025. Para que a meta de 43% seja efetivamente alcançada, seria necessário que cerca de 35% de todos os caminhões novos registrados no continente europeu até 2030 fossem elétricos a bateria ou movidos a hidrogênio.

O impacto financeiro desse cenário é mensurável. Para a Mercedes-Benz Trucks, cada ponto percentual de desvio em relação às metas regulatórias se traduz em aproximadamente 120 milhões de euros em multas. Em um cenário hipotético de descumprimento da meta em 10 pontos percentuais, o segmento de caminhões Mercedes-Benz deixaria de ser lucrativo com base nos resultados projetados para 2025.

Diante desse quadro, a Daimler Truck defende formalmente uma revisão antecipada do regulamento de CO₂. O objetivo da companhia é que os parâmetros regulatórios sejam realinhados às condições concretas do mercado, levando em consideração dois fatores determinantes: a disponibilidade efetiva de infraestrutura de recarga e abastecimento e o custo total de operação (TCO) suportado pelos clientes transportadores.

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