Sete dos maiores fornecedores da indústria automotiva e a associação dos fabricantes de autopeças, o Sindipeças, se uniram em um grupo autodenominado Frente Inovar-Auto, para apoiar a continuidade de uma política industrial direcionada ao setor. “O objetivo é propor soluções de apoio à evolução tecnológica e ao aumento da eficiência energética dos veículos”, explicou Ricardo Abreu, diretor de tecnologia da Mahle, empresa que desenvolve e fabrica componentes de motor e uma das apoiadoras da frente. Também integram o grupo Bosch, Borg Warner, Continental, Delphi, Honeywell e Umicore.
Falando em sua apresentação durante o 12º Fórum de Tecnologia de Motores Diesel, promovido esta semana pela SAE Brasil em Curitiba (PR), Abreu defendeu que a liberação da motorização diesel para veículos leves no Brasil é uma das soluções para melhorar a eficiência energética da frota nacional– hoje essa opção é vetada pela legislação, que só permite o uso de motores diesel para carros com tração 4×4 e veículos que transportam no mínimo uma tonelada de carga. “Não se pode falar em programa de eficiência energética sem incluir todas as opções que existem”, observou.
Abreu destacou que a posição da Frente Inovar-Auto “não é incentivar só o uso de carros diesel, mas a adoção de diversas tecnologias que possam melhorar a eficiência energética dos veículos fabricados e vendidos no Brasil”. Nesse sentido, o engenheiro lembrou que atualmente alguns carros diesel mais modernos têm tecnologia que os tornam mais eficientes até do que elétricos híbridos com motor a gasolina.
“A introdução do diesel especialmente nos veículos leves maiores poderia ajudar a trazê-los mais facilmente para as metas de eficiência do Inovar-Auto”, afirmou Abreu, que exemplificou com o caso da Europa, onde a maioria dos carros a gasolina está acima da meta de emissão de 120 gramas de CO² por quilômetro, enquanto quase a totalidade dos modelos diesel, que gastam menos combustível, estão dentro ou abaixo do limite.
O grupo também tenta antecipar quais seriam as próximas metas de eficiência energética propostas para o Brasil após 2017, quando termina o Inovar-Auto. Atualmente o objetivo médio que os fabricantes de veículos leves devem obrigatoriamente atingir, expresso em megajoule por quilômetro, é de 1,82 MJ/km para um carro de 1.121 kg (peso médio da frota), com redução de um ponto porcentual no IPI para a montadora que conseguir atingir 1,75 MJ/km e dois pontos para quem chegar a 1,68 MJ/km, o que equivale ao atual limite europeu de 120 g CO²/km.
Para Abreu, a tendência da legislação é que esse limite seja reduzido para 1,55 MJ/km em uma próxima etapa, seguindo de perto o modelo europeu. “O próximo nível já está estabelecido, só falta discutir équando ele será adotado”, avalia. “Também é preciso considerar os biocombustíveis como solução para reduzir as emissões de CO² do poço à roda. Etanol e biodiesel devem ser mais usados para isso.”
Fonte: Automotive Business
