O mercado de galpões industriais e condomínios logísticos no Brasil atravessa um ciclo de crescimento acelerado, impulsionado por fatores econômicos e operacionais. Dados das consultorias Binswanger e Metro Quadrado mostram que a expansão já redesenha o mapa logístico nacional.
De acordo com o levantamento mais recente, Guarulhos lidera como principal polo logístico, com 481,8 mil m² de área, seguido por Cajamar (418,4 mil m²), Extrema (333,4 mil m²), Jundiaí (321,7 mil m²) e, empatados, Contagem e Betim, com 307,9 mil m² cada.
O eixo tradicional entre Guarulhos e Cajamar deixou de concentrar a maior parte das operações. A expansão logística agora inclui novos centros estratégicos, especialmente em Extrema, Jundiaí e Betim, ampliando os corredores de distribuição no país.
Essa mudança tem efeito direto sobre o transporte rodoviário de cargas, já que os custos com armazenagem e imóveis logísticos influenciam o valor do frete. Entre 2020 e 2025, o número de empreendimentos praticamente dobrou, refletindo a nova dinâmica do setor.
Pós-pandemia acelera interiorização e aproximação dos mercados
A reconfiguração da malha logística ganhou força após a pandemia, quando indústrias e empresas passaram a priorizar proximidade com grandes centros consumidores.
Nesse cenário, a localização dos centros de distribuição tornou-se um fator estratégico para transportadoras, impactando planejamento de rotas, custos operacionais, manutenção de frota e prospecção de clientes.
Segundo José Alberto Panzan, diretor da Anacirema Transportes e da Federação das Empresas de Transporte de Cargas do Estado de São Paulo, a expansão dos polos logísticos está transformando a operação das transportadoras.
“A competitividade deixou de ser apenas distância e capacidade de entrega. Hoje envolve inteligência logística, previsibilidade e gestão em tempo real”, afirma.
O executivo destaca que há uma pressão crescente por prazos menores, maior frequência de entregas e janelas operacionais mais rígidas, principalmente na distribuição urbana e regional.
Transporte rodoviário ganha papel ainda mais estratégico
Responsável por mais de 65% da movimentação de cargas no Brasil, o transporte rodoviário se torna ainda mais relevante com a expansão dos centros logísticos.
O setor é fundamental para conectar indústria, agronegócio, comércio e consumidor final, garantindo abastecimento e impulsionando o desenvolvimento regional. Além disso, polos logísticos próximos aos centros consumidores aumentam a eficiência operacional, reduzem o tempo de entrega e elevam a produtividade da frota.
A aproximação entre centros logísticos e mercados consumidores reduz o ciclo operacional das entregas, permitindo maior giro dos veículos e melhor aproveitamento da frota. Na prática, isso significa menos quilômetros improdutivos e mais entregas realizadas no mesmo período, aumentando a eficiência das transportadoras e contribuindo para maior estabilidade financeira das operações.
