Fulfillment deixa de ser diferencial e se torna peça estratégica para e-commerce

Por Victor Fagarassi

- junho 19, 2026

Fulfillment deixa de ser diferencial e se torna peça estratégica para e-commerce

O mercado brasileiro de fulfillment continua ganhando espaço à medida que varejistas e indústrias buscam operações logísticas mais integradas para atender às exigências do comércio eletrônico. A combinação entre armazenagem, separação de pedidos, transporte e entrega final tem se tornado um diferencial para empresas que precisam acelerar prazos e reduzir a complexidade operacional.

Nesse cenário, a Total Express anunciou a ampliação de sua atuação em fulfillment e projeta crescimento de 55% na operação. Embora a atividade ainda represente menos de 1% do faturamento da companhia, a empresa considera o serviço uma das principais frentes de expansão para os próximos anos. Segundo Carolina Terra Diniz, gerente de Fulfillment da Total Express, o modelo tem sido utilizado como estratégia para ampliar a participação da empresa junto aos clientes e fortalecer contratos de transporte.

“O fulfillment funciona como uma porta de entrada para nossas soluções integradas. Muitos e-commerces, principalmente os de pequeno e médio porte, preferem concentrar toda a operação logística em um único parceiro”, afirma.

O crescimento projetado pela empresa está apoiado tanto na conquista de novos clientes quanto na expansão orgânica da base atual. A expectativa acompanha a evolução do comércio eletrônico brasileiro, que registrou mais de 438 milhões de pedidos em 2025. De acordo com a executiva, empresas que migram para operações de fulfillment costumam ganhar eficiência operacional, o que contribui para o aumento das vendas e do volume processado.

Os segmentos que mais demandam esse tipo de serviço atualmente são Moda e Acessórios, Beleza e Cosméticos, Eletroeletrônicos, Bens de Consumo e Saúde e Bem-estar. Além disso, cresce a procura por parte de indústrias que estão estruturando operações direct-to-consumer (D2C), modelo em que a venda ocorre diretamente ao consumidor final.

A busca por soluções integradas também reflete uma mudança no perfil dos varejistas. Segundo a Total Express, muitas empresas deixaram de considerar vantajosa a manutenção de estruturas próprias de armazenagem e passaram a priorizar parceiros capazes de centralizar estoque, transporte e distribuição.

Carolina Terra Diniz, Gerente de Fulfillment da Total Express
Carolina Terra Diniz, Gerente de Fulfillment da Total Express

Expansão logística busca aproximar estoques dos consumidores

A estratégia da Total Express inclui a expansão geográfica das operações de fulfillment. Atualmente, a empresa possui estruturas em Jundiaí (SP), Belo Horizonte (MG), Extrema (MG) e Rio de Janeiro (RJ), com planos para avançar também nas regiões Sul e Nordeste.

A companhia opera hoje com capacidade próxima de 10 mil posições-palete distribuídas entre suas unidades de armazenagem. O objetivo é posicionar estoques mais próximos dos principais centros consumidores, reduzindo o tempo de entrega e aumentando a eficiência da distribuição. Esse movimento acompanha uma tendência observada em diversos mercados: a regionalização dos estoques para atender consumidores que demandam entregas cada vez mais rápidas.

Segundo Carolina Terra Diniz, a integração entre armazenagem e transporte permite que produtos sejam despachados poucas horas após a confirmação da compra, ampliando a capacidade de atendimento em operações de entrega no mesmo dia, especialmente em grandes centros urbanos.

Apesar do avanço do setor, a Total Express avalia que o mercado brasileiro de fulfillment ainda possui baixa penetração quando comparado a países como Estados Unidos e China. A empresa entende que o segmento já superou a fase inicial de adoção, mas ainda há um grande contingente de pequenas e médias empresas operando com estruturas próprias ou com fornecedores logísticos fragmentados.

Para a companhia, a expansão do e-commerce tende a acelerar a demanda por soluções integradas de ponta a ponta nos próximos anos, principalmente em um cenário de maior pressão por prazos curtos e experiência do consumidor.

IA, micro-fulfillment e ESG devem moldar o setor até 2030

Na avaliação da Total Express, quatro tendências devem influenciar diretamente a evolução da logística para o comércio eletrônico nos próximos anos.

A primeira delas é o uso crescente de inteligência artificial e análise de dados para prever demanda e posicionar estoques de forma estratégica antes mesmo da realização das compras. Outra aposta é a expansão do micro-fulfillment, com centros de distribuição menores e localizados próximos às áreas de maior consumo, viabilizando entregas em poucas horas. A automação de processos também deve ganhar relevância, com operações cada vez mais robotizadas para acelerar atividades de picking e packing.

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