A proximidade do fim do prazo para votação da Medida Provisória nº 1.343/2026 aumenta a atenção de empresas, transportadores autônomos e entidades ligadas ao Transporte Rodoviário de Cargas (TRC). Conhecida como MP do Frete, a proposta aguarda análise do Senado Federal e, se não for votada até 16 de julho, perderá a validade. Nesse cenário, as mudanças previstas deixam de valer e o tema precisará passar por novo processo legislativo.
A medida reúne alterações consideradas relevantes para o setor, como o reforço da fiscalização do Piso Mínimo de Frete, a exigência de registro das operações por meio do Código Identificador da Operação de Transporte (CIOT), a ampliação da rastreabilidade dos pagamentos e novas atribuições para a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).
Para a Federação das Empresas de Transporte de Cargas do Estado de São Paulo (FETCESP), o prazo próximo amplia a insegurança regulatória e dificulta o planejamento das empresas, que ainda não sabem quais regras serão mantidas nem quais ajustes operacionais e tecnológicos terão de ser feitos.
“A indefinição sobre a votação da MP gera preocupação no setor, porque o transporte rodoviário de cargas depende de previsibilidade para organizar contratos, adaptar sistemas e planejar operações. É preciso saber com clareza quais regras estarão vigentes e como serão regulamentadas, para evitar mudanças abruptas e períodos de insegurança jurídica”, afirma Carlos Panzan, presidente da FETCESP.
Solução pelo diálogo
A discussão ganhou força após representantes de caminhoneiros cobrarem a inclusão da proposta na pauta do Senado e mencionarem a possibilidade de mobilizações caso o texto perca a validade. A FETCESP, porém, mantém posição contrária a paralisações e defende que divergências sejam tratadas por meio do diálogo institucional, sem impacto sobre o abastecimento e o funcionamento da economia.
“Compreendemos a preocupação dos diferentes segmentos diante da possibilidade de perda de validade da medida, mas entendemos que a solução deve ser construída pelo diálogo. A FETCESP não apoia paralisações e considera essencial preservar o abastecimento, a atividade econômica e a regularidade das operações logísticas”, ressalta Panzan.
Entre os pontos que exigem atenção estão as novas atribuições relacionadas ao CIOT, o aumento do cruzamento eletrônico de informações, as regras de fiscalização do Piso Mínimo de Frete e os procedimentos que serão definidos pela ANTT. Para a Federação, qualquer implementação precisa vir acompanhada de orientação técnica, estabilidade dos sistemas e prazos adequados de adaptação.
“A fiscalização eficiente precisa caminhar junto com a viabilidade operacional. Não basta criar novas obrigações sem garantir que sistemas, procedimentos e prazos estejam adequados à realidade das empresas. O objetivo deve ser fortalecer a formalização sem comprometer a fluidez das operações”, acrescenta o presidente da FETCESP.
Se a MP perder a validade, a entidade avalia que permanecerá um ambiente de incerteza sobre pontos importantes da relação entre transportadoras, caminhoneiros autônomos e contratantes de frete. Além de adiar possíveis mudanças regulatórias, a situação pode prolongar discussões sobre critérios de fiscalização e cumprimento das obrigações.

