Os preços do diesel nos postos brasileiros registraram aceleração significativa na passagem da segunda para a terceira semana de março, confirmando a transmissão ao consumidor final dos reajustes promovidos nas refinarias e das pressões externas que se intensificaram no final de fevereiro. Levantamento do Índice de Preços Edenred Ticket Log (IPTL) indica que o diesel comum avançou 6,41% no período, com o litro passando de R$ 6,90 para R$ 7,34. O diesel S-10 seguiu a mesma direção, com alta de 6,44%, elevando o preço médio de R$ 7,02 para R$ 7,48.
Os movimentos ocorrem em um contexto de volatilidade nos mercados internacionais de energia, agravada pelos conflitos no Oriente Médio, e refletem diretamente o reajuste aplicado pela Petrobras em 14 de março, além da alteração na política tributária federal que zerou as alíquotas de PIS e Cofins sobre o diesel importado. Embora a medida governamental vise conter pressões externas, os dados consolidados apontam que o efeito prático nos preços ao consumidor tem sido de alta generalizada.
A análise do IPTL mostra que a pressão sobre o diesel vem se acumulando desde o final de fevereiro. Entre 28 de fevereiro e a terceira semana de março, o diesel S-10 acumulou elevação de 20,26%, enquanto o diesel comum ficou 17,82% mais caro. O executivo destaca que a velocidade e a magnitude do repasse colocam o segmento em um patamar de preço estruturalmente mais elevado, alcançado em um intervalo curto e ainda sujeito a variáveis em aberto, tanto do ponto de vista geopolítico quanto de eventuais novos movimentos no mercado doméstico.
Gasolina e etanol
Em comparação, os avanços da gasolina e do etanol foram menos intensos no mesmo intervalo. A gasolina apresentou alta de 2,34%, passando de R$ 6,63 para R$ 6,79 por litro, enquanto o etanol hidratado subiu 0,86%, de R$ 4,89 para R$ 4,93. A defasagem na velocidade de repasse entre os derivativos, conforme observado por Vinicios Fernandes, diretor de Unidades de Negócio da Edenred Mobilidade, segue o padrão de ajuste da cadeia de suprimentos, no qual os aumentos nas refinarias levam um período variável para impactar integralmente as bombas.
O IPTL é calculado a partir das transações realizadas em uma rede de 21 mil postos credenciados, utilizando estrutura de ciência de dados que processa mais de 55 transações por segundo, provenientes de uma frota administrada superior a 1 milhão de veículos.
