Empresas também são são forçadas a lançar mãos de artificios, como paradas da linhas de montagem, férias coletivas, licenças remuneradas e até demissões
O mau desempenho no setor de caminhões segue em carreata. Nem mesmo as recentes medidas anunciadas pelo Governo Federal para aquecer o consumo foram suficientes para dar ânimo ao setor. Preocupadas com a queda nas vendas – que somou 8,1% entre janeiro e abril – as montadoras de veículos pesados estão lançando mão de artifícios para readequar a produção à nova realidade. Na lista estão ferramentas como paradas da linha de montagem, férias coletivas, licença remunerada e até mesmo as demissões.
Na última semana, o Brasil Econômico obteve com exclusividade um documento interno veiculado na Mercedes-Benz e assinado pelo presidente da companhia, Jürgen Ziegler, que falava de um excedente de 1,5 mil funcionários.
A exemplo da montadora alemã, a concorrência também sofre com mão-de-obra ociosa. Segundo Daniel Calazans, diretor do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, a Scania fala em excedente de 600 funcionários no primeiro trimestre. Para tentar contornar a situação, a empresa negociou um Programa de Demissão Voluntária (PDV) entre março e abril. A Scania afirmou ainda que a fábrica de São Bernardo não vai produzir no dia 1º de junho e que negociou 20 dias de parada por ano com o sindicato, podendo antecipar dez dias de 2013.
Além da economia desaquecida, a nova tecnologia ambiental, chamada de Euro V, arrefeceu as vendas. Os caminhões ficaram cerca de 15% mais caros desde janeiro e a Ford caminhões acompanha os maus resultados do setor. A empresa garantiu que “utiliza a flexibilização do banco de horas para adequar o volume de produção ao nível da demanda atual de mercado”, mas garantiu que não planeja demissões.
Na MAN Latin America a decisão foi dar férias coletivas para os cerca de 4 mil funcionários no complexo fabril em Resende (RJ). Segundo o diretor do Sindicato dos Metalúrgicos de Volta Redonda e Região, Bartolomeu Citeli, a parada de produção vai ocorrerentre 4 e 21 de junho. “Em janeiro, a empresa concedeu férias coletivas de 20 dias. Além disso, já reduziu em 30% a produção diária”, disse Citeli. Atualmente, a MAN monta 240 caminhões/dia. Em 2011, no ápice da demanda, a empresa chegou a fabricar 340.
Fonte: Brasil Econômico