Em um movimento que foge do convencional para o segmento de mineração, a DAF Caminhões Brasil entregou uma unidade do modelo CF Mineração 8×4 que não carregará minério, mas sim, atuará como um verdadeiro “canivete suíço” nos garimpos de ouro do Suriname. Longe de ser apenas mais um caminhão fora-de-estrada, este veículo representa um exercício de engenharia de precisão para resolver um problema logístico complexo, que trata da necessidade de um único equipamento que seja capaz de içar cargas pesadas e transportar máquinas em terrenos hostis.
O projeto nasce da premissa de versatilidade radical. Ao contrário dos tradicionais CF Mineração, que usualmente são vistos com robustas caçambas basculantes enfrentando pilhas de minério, este rígido de três eixos (configuração 8×4) foi concebido para ser uma unidade de apoio tático. O grande diferencial técnico que chama a atenção de especialistas é a implementação mista, já que o chassi recebeu, simultaneamente, um guindaste articulado e uma plataforma roll-on/roll-off. É uma solução “dois em um” que desafia o conceito tradicional de especialização de máquinas pesadas.
Para que essa simbiose mecânica fosse possível, o veículo precisou passar por uma verdadeira cirurgia estrutural. Realizada por um implementador parceiro, a metamorfose começou com a alteração da própria anatomia do chassi. Foi necessário aumentar o entre eixos e modificar a distância entre os eixos direcionais para acomodar os dois sistemas sem comprometer a dinâmica veicular. Mais do que isso, uma extensa malha de reforços estruturais foi aplicada ao longo de toda a extensão do longarina, garantindo que o caminhão suportasse as tensões combinadas do guindaste em operação e do deslizamento das plataformas. Com a parte mecânica e estrutural concluída, a engenharia da DAF assumiu o comando para a parametrização eletrônica, recalibrando os sistemas para que a segurança e a operacionalidade fossem mantidas no mais alto padrão, mesmo sob as condições extremas da mina.
O diferencial da operação reside na simbiose entre os dois sistemas hidráulicos. O sistema roll-on/roll-off, ou simplesmente “roll-off”, é o responsável pela agilidade logística. Utilizando um braço hidráulico com gancho, ele é capaz de puxar caçambas ou plataformas inteiras do chão para cima do chassi, com o auxílio de roletes que facilitam o deslizamento. Isso significa que, em questão de minutos, o caminhão pode trocar uma carroceria carregada de equipamentos por uma vazia, maximizando o tempo útil da frota.
Paralelamente, o guindaste articulado confere ao veículo uma autonomia cirúrgica. Instalado estrategicamente atrás da cabine e acionado pela Tomada de Força (PTO), este implemento elimina a dependência de empilhadeiras ou guindastes externos para a movimentação de materiais pesados no local da extração. Em uma operação de garimpo, onde o terreno é irregular e a infraestrutura é escassa, o motorista pode, sozinho, estabilizar o caminhão com as sapatas (patolas) e realizar o içamento de cargas, peças ou até mesmo veículos menores com total segurança.
“O DAF CF Mineração 8×4 customizado valida a extrema robustez e flexibilidade da nossa plataforma fora de estrada. Mais do que um veículo robusto, entregamos uma solução de engenharia versátil, com tecnologias que trarão mais eficiência, segurança operacional e rentabilidade para o cliente”, resume Alekson Felício, gerente de Planejamento de Produto e Engenharia de Vendas da DAF Caminhões.
Para dar conta dessa missão na floresta do Suriname, o caminhão carrega o coração mecânico da marca, o motor Paccar MX-13, calibrado para entregar 480 cavalos de potência e um impressionante freio motor de 490 cv, fundamental para as descidas carregado em rampas de mina. A transmissão fica por conta da ZF TraXon, uma caixa automatizada de 12 velocidades que, combinada ao Intarder, pode atingir uma capacidade de frenagem de até 1.300 cv, um recurso vital para controlar o conjunto em terrenos lamacentos e declivosos. Com um Peso Bruto Total (PBT) de 58 toneladas e Capacidade Máxima de Tração (CMT) de 150 toneladas, o CF Mineração prova que, mesmo vestido para o fora de estrada, pode ser tão versátil quanto os modelos rodoviários, adaptando-se às necessidades específicas de um cliente que precisa extrair ouro da terra com a máxima eficiência operacional.
