Brasil na contramão do mercado global de caminhões

Por Freelers

- setembro 23, 2016

Enquanto projeções indicam que o mercado global de caminhões acima de 6 toneladas de peso bruto total (PBT) deve crescer em torno de 3% este ano, para 2,8 milhões de unidades vendidas no mundo todo, o Brasil – seguido em menor escala pela Rússia – continua a ser a maior fonte de preocupação do setor em citações sobre o País no IAA 2016, salão de veículos comerciais que acontece em Hannover, Alemanha, de 22 a 29 de setembro.

O mercado brasileiro de caminhões enfrenta seu terceiro ano seguido de queda acentuada, este ano a retração esbarra nos 30% e as vendas mal devem passar de 50 mil veículos, deixando as fábricas com ociosidade superior de 50%. “Brasil e Rússia permanecem sendo causas de preocupação. A demanda nesses países é muito baixa e não há sinal de melhora no horizonte”, avalia Matthias Wissmann, presidente da associação da indústria automotiva alemã, a VDA, que reúne fabricantes de veículos e autopeças do país e organiza o salão de comerciais em Hannover.

Wissmann compartilha da expectativa que em 2017, ao menos, o mercado deve parar de cair. “Será um ano melhor para o Brasil e seu setor de veículos comerciais, com mudanças macroeconômicas causando impacto no mercado. Mas há ainda um longo caminho pela frente”, avaliou. O que todos concordam é que o atual volume de vendas está muito abaixo do potencial do País, mesmo sem contar com os fatores extraordinários que provocaram crescimento insustentável, como a mudança de legislação de emissões em 2012 que provocou antecipação de compras e o recorde histórico pouco acima de 170 mil unidades vendidas.

“O tamanho real do mercado brasileiro deve ser pelo menos três vezes maior que o atual, em torno de 120 mil a 130 mil caminhões por ano”, avalia Roberto Cortes, presidente da MAN Latim America, que vem trabalhando com a fábrica de Resende em ociosidade superior a 50%, mas que passaria de 70% sem a redução da jornada para apenas um turno e ajustes no contingente de mão de obra.

Philipp Schiemer, presidente da Mercedes-Benz do Brasil, tem opinião parecida: “Se considerar que o País tem uma frota de 3 milhões de caminhões e muitos deles com mais de 20 anos de idade, só a renovação consumiria 250 mil unidades. Mas um mercado de 150 mil/ano seria perfeitamente possível”, afirma.

Cortes e Schiemer também concordam com o cenário que favoreceria a formação de um mercado com esses volumes acima de 100 mil/ano.

Outro fator seria a adoção de um programa de renovação de frota. Na quarta-feira, 21, os fabricantes de veículos representados pela Anfavea entregaram ao governo novamente uma proposta de renovação de frota, com esperança que desta vez seja colocado em prática, pois não necessitaria de recursos do governo.

Projeções globais

De acordo com o mapa de projeções para o mercado global de caminhões acima de 6 toneladas de PBT em 2016, as maiores contribuições para o esperado crescimento de 3% nas vendas mundiais devem vir da China e Europa Ocidental.

O mercado europeu vem crescendo desde 2014, passando de 227 mil unidades vendidas naquele ano para 259 mil em 2015, em vigorosa expansão de 14% e perspectiva de avançar mais 8% em 2016, para 280 mil. “O desempenho reflete a recuperação econômica na Europa Ocidental, mas o crescimento já é mais lento agora”, avalia Wissmann, da VDA.

Fonte: Automotive Business

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