Biometano em SP já reduz em 25% os custos de frotas pesada

Cases comprovam que TCO já faz sentido para muitas operações e Cetesb confirma que interior paulista puxa a tendência

Por Gustavo Queiroz

- maio 18, 2026

Usina de biometano no interior paulista

A aceleração regulatória e a padronização dos processos de licenciamento ambiental pela Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), combinadas ao amadurecimento dos setores de resíduos e saneamento, estão transformando o biometano em uma alternativa estratégica e economicamente viável para o transporte rodoviário de cargas pesadas em São Paulo.

Para o setor de frotas, o momento atual representa um ponto de inflexão entre a demanda por descarbonização e a emergência de uma nova realidade de mercado, tanto na oferta de combustível quanto na disponibilidade de veículos. O número de licenças ambientais para projetos de biometano no estado saltou de 26 em 2024 para 87 em 2025, um crescimento de mais de 235%, segundo dados da Cetesb, demonstrando a rápida evolução da base produtiva. Segundo a Cetesba, 94% das licenças estão concentradas no interior e em outras regiões, contra apenas 6% na capital, com 81 municípios já abrigando iniciativas ligadas ao biocombustível.

Conseguimos, com os procedimentos de biometano lançados em 2024 conectar regulação ao avanço das políticas públicas de descarbonização do Estado de São Paulo. Um direcionamento claro atrelado a tecnologia e gestão eficiente trouxe esse excelente resultado”, afirma Thomaz Toledo, diretor-presidente da Cetesb.

Na prática, a viabilidade econômica já é uma realidade verificável no mercado. O caso da PepsiCo ilustra essa tendência de forma contundente, que, por meio de sua fábrica em Itu (SP), a empresa mantém um posto exclusivo de biometano que já abastece cerca de 70% de sua frota própria, composta por mais de 80 caminhões a gás. Desenvolvida em parceria com a Ultragaz, a iniciativa não apenas garante o suprimento de combustível renovável para a operação logística, como também abastece integralmente as linhas de produção da unidade — incluindo fritadeiras, fornos e caldeiras — com um consumo diário de aproximadamente 15 mil metros cúbicos de biometano. Além dos ganhos ambientais, com redução expressiva das emissões de escopo 3, a companhia projeta para os próximos anos a expansão do modelo para outras fábricas no estado de São Paulo, consolidando o biometano como um vetor de previsibilidade de custos e vantagem competitiva frente ao diesel.

O Scania R 460, com potência de 460 cavalos e autonomia de até 650 quilômetros, lidera o segmento, respondendo por cerca de 80% das vendas de caminhões a gás no país. Enquanto isso, a infraestrutura de abastecimento começa a se estruturar com projetos como o financiamento de R$ 140 milhões do BNDES para a TransJordano, que construirá um corredor verde com postos em Sumaré, Cubatão e Ribeirão Preto.

Do ponto de vista técnico, o desempenho do biometano já se equipara ao diesel em aplicações pesadas. Motores como o da Scania atingem 460 cavalos, e a MWM apresentou recentemente uma versão de 570 cavalos. A autonomia varia conforme o projeto, alcançando de 650 a 900 quilômetros com tanques otimizados, o que suporta rotas médias e longas sem reabastecimento frequente. O custo total de operação, ou TCO, é de 20% a 25% mais barato que o diesel, compensando o investimento inicial ligeiramente superior no veículo, estimado entre 5% e 10%.

Além disso, a consolidação do biometano insere a logística em um ciclo de economia circular avançado em que o combustível é produzido a partir da purificação do biogás gerado por resíduos sólidos urbanos e efluentes, que seriam passivos ambientais. Com um potencial produtivo estimado em até 6,4 milhões de metros cúbicos por dia, São Paulo desponta como um dos principais polos de biometano do país.

A expansão da cadeia do biogás e do biometano também reforça uma tendência de economia circular, ao transformar resíduos e efluentes, tradicionalmente vistos como passivos ambientais, em fonte de energia e insumo para a transição energética”, finaliza Toledo.

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