De volta à Ativa: oficina de restauro da empresa devolve 80 mil paletes à operação

Oficina de restauro da Ativa devolve 80 mil paletes à operação em 2024, gerando uma economia de R$ 2 milhões

Por Victor Fagarassi

- janeiro 5, 2026

Ativa Logística

A Ativa Logística, um dos maiores operadores logísticos do segmento de saúde, beleza e bem-estar do Brasil, com uma frota superior a 1.800 veículos, consolidou uma iniciativa de circularidade operacional que foi reconhecida com o Prêmio ESG do Setcepar na categoria Ambiental. O projeto, intitulado “Base de Valorização Sustentável“, está centrado na restauração e reaproveitamento de pallets PBR, um insumo de alto consumo e custo na operação de transportes. 

“A sustentabilidade precisa estar conectada com a sustentabilidade financeira do negócio. O palete é caro e utilizamos muito esse produto. Simplesmente descartá-lo em um aterro não fazia sentido”, destaca Alex Nunes, gerente de Processos e Inovação da Ativa Logística (foto).

Alex Nunes Ativa (1)A iniciativa, com mais de cinco anos de operação, foi estruturada como uma oficina interna de reciclagem, segregada da atividade principal e operada por uma equipe dedicada de cinco colaboradores. O processo é técnico e meticuloso, já que os paletes danificados pelo desgaste natural da movimentação, por empilhadeiras e paleteiras, são coletados e avaliados. Aqueles em condições de reparo passam por um processo de restauração que utiliza componentes de outras unidades irreparáveis, estabelecendo um ciclo fechado de materiais. “Para cada três paletes, conseguimos restaurar um, dependendo da condição. O material excedente é estocado e utilizado no próximo, sucessivamente”, explica Nunes. O throughput (taxa real de entrega) da oficina é de aproximadamente 300 paletes restaurados por dia, em uma operação que realiza cerca de 10.000 entregas diárias.

Economia reinvestida

Os resultados quantitativos destacam a eficácia do modelo. Em 2024, a Ativa Logística restaurou 80.000 pallets, com uma projeção de superar 110.000 unidades em 2025. Considerando o valor de mercado do palete PBR, a iniciativa gerou uma economia, ou “saving”, próximo a R$ 2 milhões anuais. “Essa economia é reinvestida em novas tecnologias, expansão da capacidade operacional e no próprio ferramental da oficina, criando um ciclo virtuoso interno”, complementa o gerente. Para os resíduos de madeira inservíveis para restauro, a empresa estabeleceu parceria com um reciclador que transforma o material em placas de MDF, garantindo que zero resíduos sejam destinados a aterros sanitários.

O impacto intangível, segundo Alex Nunes, é profundo na cultura organizacional. A oficina também é um hub para reciclagem de estireno (composto químico orgânico) e papelão, e a empresa utiliza canaletas de material reciclado em suas operações. “Isso gera uma percepção de valor no colaborador. Eles replicam esses conceitos em casa, com a família. 

O projeto de valorização de paletes prova que inovação de processo, mesmo de baixa complexidade tecnológica, é um pilar fundamental para uma operação logisticamente eficiente, financeiramente sustentável e ambientalmente responsável.

O êxito do projeto transcende os indicadores financeiros e ambientais, consolidando uma mudança de paradigma na gestão de insumos. Nunes enfatiza que a iniciativa se tornou um caso pedagógico interno: “Isso mostrou para toda a organização que eficiência operacional e responsabilidade ambiental não são compensações, mas sim vetores que se reforçam mutuamente. A oficina de reciclagem é um laboratório vivo de economia circular, e seus princípios estão sendo replicados em outros processos, desde a gestão de embalagens até a otimização de rotas para redução de combustível”. Esse modelo demonstra que a verdadeira inovação sustentável frequentemente reside na reengenharia de processos fundamentais, transformando um custo operacional linear em um ciclo de valor regenerativo.

ATIVA LOGISTICA PREMIO ESG (1) (1)

Prova conceitual

Para Alex Nunes, a premiação pelo Setcepar coroa esta trajetória e projeta a Ativa Logística como uma referência setorial. “Ganhar o Prêmio ESG não é sobre um troféu na estante. É a confirmação de que nossa operação está contribuindo para um ecossistema logístico mais resiliente”, explica. Segundo ele,  distinção sinaliza para o mercado, para o clientes e colaboradores que a Ativa entende a logística do futuro, que é tecnicamente avançada, mas profundamente consciente de seu papel socioambiental. “Este case do palete é a prova conceitual de que podemos escalar este pensamento para outras frentes, e é assim que pretendemos liderar a evolução do setor”, reflete Nunes. 

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