Sobram dúvidas a respeito da atratividade do que está para ser oferecido, o que inclui pelo menos três trechos de rodovias, portos e dois de ferrovias, segmento sobre o qual pesam as maiores ressalvas
Após os últimos leilões de aeroportos e rodovias, uma espécie de trégua foi estabelecida entre governo e setor privado, algo claro não só na mudança de discurso de críticos do atual processo de concessões, mas também no valor dos projetos concedidos pelo governo federal.
Somando aeroportos, rodovias federais, petróleo e gás e energia, os investimentos “contratados” para o futuro por meio das concessões feitas em 2013 alcançaram R$ 64 bilhões. Esse valor representa mais que o dobro dos R$ 28,8 bilhões de investimentos previstos nas licitações feitas em 2012, segundo compilação feita pela Inter B. Consultoria com exclusividade para o Valor. Se a conta dos investimentos “contratados” para o futuro incluir aqueles previstos para o campo de Libra – licitado este ano – o valor chega a R$ 140 bilhões e representa quase 400% mais que o de 2012.
Sobre se o armistício é duradouro, ou não, os especialistas preferem dizer que cada leilão é um leilão. Mas movimentos importantes do governo nos últimos meses, como a decisão de aumentar a taxa de retorno de alguns projetos e a tarifa-teto de pedágios como o da BR-163, arrefeceram os ânimos, abrindo espaço até para elogios. No fim de novembro, o economista Delfim Netto foi o primeiro a dizer que o governo acabou entendendo que os leilões são coisa para “profissional”. Logo depois, em entrevista exclusiva ao Valor, foi a vez de Armínio Fraga afirmar que o leilão do Galeão foi “espetacular”.
Olhando para frente, no entanto, há o receio de uma certa perda de força das novas concessões. Por enquanto, o calendário de 2014 aponta cerca de R$ 25 bilhões em investimentos embutidos em concessões já anunciadas, vindos principalmente de rodovias, setor energético e portos – ferrovias ficaram fora da conta em razão das maiores incertezas que pairam sobre os projetos. Por enquanto, nenhum leilão da área está marcado para 2014.
Além do menor número de projetos, sobram dúvidas a respeito da atratividade do que está para ser oferecido, o que inclui pelo menos três trechos de rodovias, portos e dois de ferrovias, segmento sobre o qual pesam as maiores ressalvas. “O governo vem acertando, está ganhando experiência, mas isso não quer dizer que amanhã não haja uma licitação que não apareça ninguém”, afirma Paulo Fleury, presidente do Instituto de Logística e Supply Chain (Ilos).
FONTE: Valor Econômico – SP








