Única fabricante nacional de veículos comerciais, a Agrale alcançou um resultado surpreendente em 2024, ao encerrar o ano com mais de 3.500 chassis de ônibus emplacados – o maior volume de sua história – e 21% superior às 2,9 mil unidades licenciadas em 2023. Destaque para as plataformas de microônibus, que responderam por quase 80% do total, com 3.463 unidades licenciadas.
Contribuíram para essa performance a retomada da economia pós-pandemia, que impulsionou a demanda por transporte público e fretamento que precisavam de renovação. E, mais importante, o Programa Caminho da Escola, que autorizou a compra de um total de 7.1 mil ônibus para essa finalidade.
Segundo a empresa, o volume de emplacamentos poderia ser ainda maior, se a execução das Atas de Sessão Públicas tivessem sido cumpridas integralmente. Nas contas do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), controlador do programa, apenas 2.535 ônibus foram entregues em 2024 às prefeituras municipais por meio do programa federal. O fato, porém, não impediu que a Agrale alcançasse uma participação de 62,2% no mercado de microônibus no ano passado, ante os 45,4% de 2023.
Foco em nichos

Para 2025, a expectativa da empresa é de um cenário de estabilidade, com crescimento modesto, ou até mesmo quase nenhum. “A projeção está atrelada principalmente às altas taxas de juros, que dificultam o acesso a linhas de crédito e podem impactar negativamente a renovação de frota e os investimentos no setor”, explica Martins.
Outro fator adverso é a instabilidade econômica do país, que pode reduzir os investimentos tanto públicos quanto privados no setor de transporte e afetar a renovação da frota nacional de ônibus.