Aeroportos do Rio e de BH recebem com ônibus elétricos

Marcopolo e Caio iniciam operações com ônibus elétricos para o transporte dos passageiros em apron

Por Gustavo Queiroz

- janeiro 5, 2026

Caio e Millenium e Marcopolo Attivi Integral 2 - aeroportos ônibus elétricos

A mobilidade aeroportuária brasileira deu um salto tecnológico e sustentável nas últimas semanas com a introdução de frotas de ônibus 100% elétricos em dois de seus principais terminais: o Santos Dumont (SDU), no Rio de Janeiro, e o Internacional de Belo Horizonte/Confins (CNF), em Minas Gerais. As operações, conduzidas por fabricantes nacionais com filosofias de projeto distintas, marcam um avanço concreto na política de descarbonização do transporte de passageiros em ambientes controlados, alinhando-se a diretrizes do Ministério de Portos e Aeroportos (MPor) e da Infraero.

No Aeroporto Santos Dumont, a operação foi inaugurada no dia 12 de dezembro com a entrega de oito unidades do modelo eMillennium, fabricadas pela Caio. Os veículos, destinados ao transporte de passageiros entre o terminal e as aeronaves (operação apron), entrarão em um período de operação assistida de 30 dias para testes finais e ajustes supervisionados pela montadora.

A solução para o SDU é fruto de uma colaboração entre a carroceira Caio e um consórcio de fornecedores especializados. A base mecânica provém de chassis fornecidos pela MBB e Scania, enquanto o sistema de eletrificação é da Eletra, e os conjuntos de baterias e motores elétricos são da WEG. As unidades do lote são do tipo padron, com piso baixo, e apresentam variações de comprimento entre 12 e 15 metros, com capacidades totais que variam de 62 a 83 passageiros.

Além da propulsão zero emissão, os ônibus se destacam pelo acabamento interno, que inclui poltronas totalmente estofadas, ar-condicionado e acomodação para bagagens de mão. A acessibilidade é garantida, e os veículos contam com tecnologia embarcada como sistema multiplex e preparação para monitores de TV. Externamente, uma adesivação especial com ícones turísticos do Rio de Janeiro, como o Cristo Redentor e as praias de Copacabana e Ipanema, conferiu ao projeto o 2º lugar na categoria Metropolitano de Passageiros do 56º Concurso de Comunicação e Pintura de Frotas.

Caio e Millenium e Marcopolo Attivi Integral
Caio e Millenium e Marcopolo Attivi Integral | Fotos: Divulgação

Em paralelo, o Aeroporto Internacional de Belo Horizonte assumiu a dianteira como o primeiro do país a operar com ônibus 100% elétricos de chassi e carroceria integralmente desenvolvidos por um único fabricante nacional. No final de dezembro de 2025, a Marcopolo, por meio de sua filial em Minas Gerais, entregou duas unidades do modelo Attivi Integral para a mesma função de apron.

O Attivi Integral representa um marco de engenharia automotiva brasileira, sendo o primeiro ônibus projetado e fabricado integralmente pela Marcopolo, incluindo a plataforma (chassi) e a carroceria. O projeto priorizou a nacionalização de componentes críticos, como baterias e sistemas eletroeletrônicos. Cada veículo possui 12,95 metros de comprimento, chassi integral Low Entry com capacidade total de 20,6 toneladas e é equipado com motor elétrico WEG de potência máxima de 385 kW (pico) e torque de 2.800 Nm. O pacote de baterias é de íon-fosfato de ferro (LFP) da CATL, com capacidade de 398,6 kWh, garantindo uma autonomia de até 280 km e um tempo de recarga em sistema CCS-2 DC de aproximadamente quatro horas.

A configuração interna foi otimizada para o fluxo aeroportuário, com capacidade para 81 passageiros (41 sentados e 40 em pé), três portas para embarque/desembarque ágil, espaço dedicado para cadeira de rodas, poltronas estofadas, ar-condicionado, monitores e carregadores USB tipo A e C. O veículo incorpora sistemas de segurança avançados, como freios a disco com ABS/EBS, suspensão pneumática com ajoelhamento e um sistema de supressão de incêndio nos compartimentos das baterias.

Enquanto a frota do Rio de Janeiro segue uma arquitetura tradicional de carroceria sobre chassis de parceiros, mas com um sistema de tração elétrica integrado, a solução de Belo Horizonte aposta em um conceito integral ou by design, onde a eletrificação é parte intrínseca da concepção veicular desde sua origem. Ambas as iniciativas, porém, convergem no objetivo estratégico de reduzir a pegada de carbono das operações aeroportuárias, substituindo veículos a diesel, e servem como projetos-piloto para a expansão dessa tecnologia em outros terminais do país. A operação bem-sucedida desses modelos consolida a capacidade da indústria nacional de fornecer soluções de mobilidade sustentável de alta complexidade técnica para aplicações especializadas.

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