Estudo projeta demanda de recarga de caminhões elétricos e aponta desafios para a rede elétrica europeia

Estudo do ICCT e do Fraunhofer projeta a demanda de recarga de caminhões elétricos na Europa até 2045 e identifica os principais desafios para depósitos, corredores e redes elétricas.

Por Victor Fagarassi

- setembro 25, 2026

Estudo projeta demanda de recarga de caminhões elétricos e aponta desafios para a rede elétrica europeia

A recarga de caminhões elétricos na Europa poderá demandar cerca de 100 TWh por ano até 2035 e 200 TWh até 2045, segundo estudo do Conselho Internacional de Transporte Limpo (ICCT) e do Fraunhofer ISI. No cenário de eletrificação mínima, a estimativa é de 30 TWh em 2035 e 75 TWh em 2045.

Mais de 70% a 80% da energia de recarga deverá ser fornecida em depósitos. Já os pontos públicos serão importantes para viagens de longa distância e poderão responder por 30% a 50% da demanda em alguns países de trânsito.

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A demanda tende a se concentrar em corredores rodoviários, centros logísticos e áreas industriais. Em muitos países, 1% das áreas com maior demanda reúne cerca de 25% a 33% da energia de recarga; nos 10% principais, a participação pode chegar a 60%–90%. Em áreas de maior concentração, os picos locais de potência podem alcançar de 20 MW a 50 MW, com alguns resultados acima desse intervalo.

O estudo abrange os 27 países da União Europeia, Noruega, Suíça e Reino Unido. Com o modelo VESUVIO, estima a recarga em depósitos e em pontos públicos ao longo das rotas, com resolução geográfica de cerca de 250 km² e perfis em intervalos de 15 minutos. Alemanha, França, Reino Unido, Espanha e Itália estão entre os países com maior demanda total projetada.

Os autores apontam que o planejamento não deve se limitar à instalação de carregadores públicos previstos em regulamentações como a AFIR. A infraestrutura de depósitos e suas conexões à rede também serão necessárias, pois devem fornecer a maior parte da energia. Como a demanda varia de acordo com a frota, o transporte de cargas e a geografia, os países precisarão de combinações diferentes de recarga privada e pública.

As estimativas podem não representar os picos mais altos do ano. O modelo usa uma semana média; em períodos de tráfego intenso, que podem ocorrer duas ou três vezes por ano, a demanda pode ficar de 30% a 40% acima da média. O estudo também considera apenas caminhões pesados com mais de 12 toneladas, e parte dos dados usados para criar os perfis de recarga vem da Alemanha e da Europa Central.

O relatório avalia a demanda, mas ainda não compara as projeções com a capacidade efetiva das redes locais. Uma etapa posterior do projeto VESUVIO fará essa análise para identificar possíveis limitações e áreas prioritárias para investimento. Segundo os pesquisadores, as projeções podem ajudar operadores de rede e infraestrutura a antecipar conexões e reforços em locais onde a recarga em larga escala deve se concentrar.

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