ZF aposta em caminhões elétricos na China e tecnologia híbrida na Europa

ZF prevê que a participação dos modelos elétricos na China se aproxime de 50%, enquanto a Europa permanece em um dígito

Por Victor Fagarassi

- setembro 9, 2026

ZF aposta em caminhões elétricos na China e tecnologia híbrida na Europa

O mercado chinês de caminhões elétricos está avançando em ritmo mais acelerado que o europeu e ampliando a pressão sobre fabricantes ocidentais, segundo avaliação da ZF Friedrichshafen, fabricante alemã de sistemas automotivos. A empresa estima que os veículos elétricos já representam cerca de 30% das vendas de caminhões na China e que essa participação poderá se aproximar de 50% nos próximos anos.

Na Europa, a adoção permanece em patamar de um dígito e ainda há incertezas sobre a velocidade da transição para veículos comerciais de emissão zero. A diferença entre os mercados tem levado fabricantes e fornecedores europeus a rever estratégias de investimento, desenvolvimento tecnológico e posicionamento internacional.

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“É na China que a tecnologia de propulsão elétrica está sendo desenvolvida e onde o mercado está avançando com mais intensidade”, afirmou Mathias Miedreich, CEO da ZF, a jornalistas em 9 de setembro.

Fabricantes chineses ampliam atuação internacional

A evolução deverá ser destacada na IAA Transportation, feira internacional de veículos comerciais que será realizada em Hannover, na Alemanha. Segundo Andreas Moser, responsável pela divisão de veículos comerciais da ZF, duas das três maiores fabricantes chinesas de caminhões devem apresentar modelos equipados com motores elétricos fornecidos pela empresa.

Para Moser, o movimento também evidencia a estratégia de internacionalização das fabricantes chinesas. As empresas estão direcionando parte dos esforços de expansão para mercados externos, especialmente países do norte da Europa, onde a eletrificação do transporte pesado avança por meio de metas ambientais, incentivos e exigências regulatórias.

A ZF espera que a maioria dos caminhões vendidos na China passe a utilizar motores elétricos de fornecedores locais. Ainda assim, a empresa identifica oportunidades de parceria com fabricantes chineses que pretendem exportar seus veículos.

De acordo com Mathias Miedreich, esses contratos podem ampliar a escala de produção dos componentes fabricados na Alemanha, reduzir custos e gerar receitas para sustentar as operações europeias da companhia.

ZF revisa estratégia após prejuízos com eletrificação

A mudança de posicionamento ocorre após a ZF enfrentar dificuldades em projetos de motores elétricos para automóveis de passeio. A expansão mais lenta que o esperado nesse mercado tornou algumas iniciativas deficitárias e levou a empresa a encerrar determinados programas antes do prazo previsto.

No ano passado, a fabricante registrou uma baixa contábil de aproximadamente 1,6 bilhão de euros, equivalente a cerca de US$ 1,9 bilhão à época. A divisão também passa por uma reestruturação que deverá resultar na eliminação de milhares de empregos.

Diante das incertezas sobre o ritmo de adoção dos veículos de emissão zero, a ZF passou a defender maior atenção à tecnologia híbrida. A estratégia prevê aproveitar o crescimento mais rápido dos caminhões elétricos na China e, ao mesmo tempo, oferecer soluções híbridas para o mercado europeu durante um período de transição mais longo.

A empresa avalia que a Europa deverá avançar de forma mais gradual na substituição dos caminhões a combustão, em razão dos custos dos veículos, da disponibilidade de infraestrutura de recarga, das características das operações de longa distância e da necessidade de ampliar a oferta de energia.

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