Os emplacamentos de veículos no Brasil totalizaram 504.574 unidades em julho de 2026, alta de 3,3% sobre junho e de 10,2% em relação a julho de 2025, impulsionados por três dias úteis a mais no período. No acumulado do ano, o setor soma 3.219.957 emplacamentos, o segundo maior volume já registrado para os primeiros sete meses e avanço de 15,1% sobre 2025. A Fenabrave projeta acomodação no segundo semestre devido às eleições de outubro e à antecipação de compras gerada pela oferta de crédito do primeiro semestre.
O segmento de caminhões apresentou reação em julho, registrando crescimento nas comparações mensal e anual, embora o acumulado permaneça abaixo do mesmo período de 2025. A recuperação é atribuída principalmente às etapas 1 e 2 do programa Move Brasil, que auxiliou a renovação de frota diante de exigências de capacidade de pagamento e financiamento de longo prazo.
No acumulado de 2026, os volumes de caminhões somam 17.382 unidades (ante 18.721 em 2025 segundo tabelas comparativas, ou variações específicas do setor com alta mensal de 78,89%, anual de 7,16% e recuo acumulado de -6,68%). O programa Move Brasil para pesados somou R$ 19,9 bilhões em valores aprovados pelo BNDES em quase 19 mil operações até o fim de julho, aproximando-se do teto de R$ 21,2 bilhões anunciados para a linha.
Por sua vez, o segmento de ônibus demonstrou maior dificuldade de reação entre os pesados devido à ausência inicial de programas governamentais, registrando retração de quase 25% no início do ano. Contudo, a diferença caiu de forma gradual a partir do segundo semestre com a implantação da segunda fase do Move Brasil, que incluiu R$ 2 bilhões em crédito para financiar ônibus, resultando em variações de 4,26% na comparação mensal, -2,32% na anual e -7,04% no acumulado, com volumes de 678 unidades em julho de 2026 frente a 471 em junho e 717 em julho de 2021/2025 conforme relatórios de base.
Outros segmentos
Entre as demais modalidades, os implementos rodoviários registraram forte recuperação em julho com crescimento nas comparações mensal e anual, exibindo variações de 31,01% ao mês, 26,87% ao ano e recuo de -3,85% no acumulado, estimulados pelas taxas menores da segunda etapa do Move Brasil.
Nas máquinas agrícolas, o segmento de tratores acumula retração influenciada pelo endividamento rural e baixas margens, com quedas de -16,2% e estimativas de que o Move Agricultura reduza a retração em até 10%, enquanto as colheitadeiras apresentam quedas mais acentuadas de -58,3% no mês e -78,7% no acumulado frente ao ano anterior, aguardando os reflexos do Move Agricultura e do Programa de Renegociação de Dívidas.
O segmento de automóveis e comerciais leves manteve resultados altamente positivos, impulsionado pelo varejo, financiamentos facilitados e pelo programa Carro Sustentável, cujos modelos registram desempenho 29,4% superior ao período anterior à implementação. Os híbridos expandiram-se com alta demanda por eficiência energética, enquanto os elétricos puros registraram crescimento acelerado, embora com participação percentual ainda reduzida. No acumulado, o subtotal de automóveis e comerciais leves atinge 2.773.814 unidades, alta de 8,8% sobre o ano anterior.
O mercado de motocicletas voltou a crescer em julho, mantendo trajetória positiva no acumulado e quebrando sucessivos recordes desde 2020, apoiado pelo programa Move Brasil para entregadores e motoaplicativos e pela força dos consórcios que respondem por 28% das vendas nacionais e até 80% no Nordeste. As motocicletas elétricas registraram oscilações mensais em julho, mas mantêm evolução nas comparações anual e acumulada. No acumulado de 2026, o volume de motocicletas atinge 2.436.980 unidades, registrando alta de 10% sobre 2025.

