A partir da meia-noite de 1º de agosto de 2026, o Sistema Anchieta-Imigrantes (SAI) adotará o modelo de pedágio eletrônico sem cancelas, conhecido como Free Flow, em substituição às praças de pedágio com cabines físicas. A mudança, homologada pela Agência Reguladora de Transportes do Estado de São Paulo (Artesp), representa a maior transformação operacional já realizada na principal ligação rodoviária entre a Região Metropolitana de São Paulo e a Baixada Santista.
A principal alteração para o usuário está na forma de cobrança. Atualmente, o motorista paga R$ 40,60 integralmente na descida da Serra do Mar. Com o Free Flow, esse valor será dividido igualmente entre os dois sentidos da viagem: R$ 20,30 na descida e R$ 20,30 na subida. A medida, segundo a Artesp, beneficia especialmente caminhoneiros, que hoje pagam a tarifa cheia na descida com carga e, no retorno, muitas vezes vazios e com menos eixos apoiados, passam a pagar proporcionalmente pelo trecho efetivamente percorrido.
Dessa forma, a cobrança passa a ser feita exclusivamente por pórticos eletrônicos instalados na Rodovia dos Imigrantes (km 29) e na Via Anchieta (km 33), em ambos os sentidos, próximos às atuais praças de pedágio. As estruturas físicas das praças serão desmobilizadas após novos testes operacionais.
Os pórticos operam com um conjunto tecnológico composto por câmeras com tecnologia OCR (Optical Character Recognition/Reconhecimento Óptico de Caracteres), sensores a laser e antenas. As câmeras realizam a leitura das placas dianteiras e traseiras em todas as faixas da rodovia, enquanto os sensores a laser classificam os veículos conforme altura, largura, comprimento e quantidade de eixos rodantes e suspensos. As antenas identificam as tags eletrônicas, complementando as informações captadas. Todos os dados são enviados a um sistema central de processamento, responsável pela validação das informações e pelo cálculo da tarifa correspondente à passagem.
Período de testes
O sistema foi submetido a uma fase de testes durante todo o mês de junho de 2026, período em que os pórticos registraram a passagem de aproximadamente 2,5 milhões de veículos, sendo 1,9 milhão de veículos de passeio e 600 mil veículos comerciais. Segundo a Ecovias Imigrantes, concessionária responsável pelo SAI, 77% dos veículos registrados possuíam tag eletrônica ativa, com índice de 93% entre caminhões e ônibus e 71% entre veículos de passeio. Os demais foram identificados pelo sistema de reconhecimento automático de placas.
“A fase de testes permitiu validar toda a operação antes do início da cobrança. Esse período foi fundamental para ajustar processos, capacitar equipes e garantir que o sistema entre em funcionamento com segurança e confiabilidade para os usuários”, afirmou Fernando Ferreira, gerente de Operações Rodoviárias da Ecovias Imigrantes.
Fluxo
O Sistema Anchieta-Imigrantes é um dos corredores de mobilidade mais estratégicos do país. Além do intenso fluxo turístico entre a capital e o litoral paulista, a via concentra parte importante da movimentação de cargas destinadas ao Porto de Santos, o maior complexo portuário da América Latina, responsável por aproximadamente 29% da corrente comercial brasileira. Segundo a Ecovias, cerca de 120 mil veículos circulam diariamente pelo sistema.
Levantamento da ConectCar, empresa de soluções de pagamento automático para mobilidade, revela a sazonalidade característica da rodovia, poios os maiores volumes de transações ocorrem entre outubro e janeiro, período de férias e aumento do turismo no litoral. Em dezembro, a praça concentrou sozinha 10,7% de todo o volume anual registrado pela concessionária na base da empresa.
O fluxo semanal também apresenta padrão definido, sendo que 17% das transações ocorrem aos sábados e 15% aos domingos. Nos dias úteis, o horário de pico se concentra entre 15h e 17h, intervalo responsável por cerca de 20% das transações diárias, sendo que o período da tarde, como um todo, responde por mais de 36% do volume diário. Nos finais de semana, o fluxo se distribui de forma mais equilibrada ao longo do dia, com início mais cedo, reforçando a influência do turismo.
Campanha de orientação e comunicação
Paralelamente à fase de testes, a Ecovias Imigrantes iniciou uma campanha de comunicação e orientação aos usuários sobre o funcionamento do novo modelo. Batizada de “Só Quero Passar”, a iniciativa é assinada pela agência Gaudí Creative Thinking e tem duração prevista de 15 meses, com expectativa de ultrapassar 300 milhões de impactos.
A campanha aposta em linguagem popular e regionalizada. Um dos principais elementos criativos é um jingle inspirado em “Não Quero Dinheiro”, clássico de Tim Maia, com letra adaptada ao universo do pedágio eletrônico. A estratégia 360º reúne filme para TV, digital, rádio, mídia exterior, comunicação em rodovia, ações educativas, influenciadores e ativações especiais na Capital, ABC Paulista e Baixada Santista.
Como pagar
Motoristas com tag eletrônica ativa continuarão tendo a cobrança processada automaticamente no momento da passagem pelos pórticos, sem necessidade de qualquer ação adicional.
Para quem não possui tag, o sistema fará a identificação da placa e o motorista deverá realizar o pagamento posteriormente, no prazo de até 30 dias após a passagem. O não pagamento dentro desse prazo sujeita o condutor à multa de R$ 195,23 e à aplicação de cinco pontos na Carteira Nacional de Habilitação (CNH).
Os canais oficiais para pagamento incluem:
- O portal Siga Fácil (https://www.sigafacil.sp.gov.br/), do Governo de São Paulo, que unifica as informações das concessionárias e redireciona para a página de pagamento;
- A plataforma Pedágio Digital (pedagiodigital.com) ou pelo aplicativo oficial, com pagamento por PIX ou cartão de crédito;
- Totens de autoatendimento instalados em postos de combustível e bases de atendimento ao usuário ao longo das rodovias, equipados com maquininhas de cartão.
A Ecovias Imigrantes reforça que nunca envia boletos, e-mails, SMS ou qualquer tipo de mensagem solicitando pagamento, alertando os usuários para que busquem exclusivamente os canais oficiais e evitem golpes.
Operação Comboio e transição
As estruturas das atuais praças de pedágio permanecerão temporariamente para apoiar as operações de segurança viária durante o período de transição. Até que sejam removidas e a nova modalidade esteja plenamente consolidada, a Operação Comboio, utilizada em condições de neblina na serra, continuará sendo realizada no formato atual, com a atuação da Polícia Militar Rodoviária na organização dos veículos para a descida.
A Artesp argumenta que a mudança aumentará a fluidez do trânsito, reduzirá acidentes e abrirá caminho para a retirada definitiva das praças de pedágio ainda em 2026. O Siga Fácil, sistema do Governo de São Paulo que viabiliza o Free Flow, será implantado gradualmente nos novos projetos de concessão, como o Novo Litoral Paulista, a Nova Raposo e a Rota Sorocabana, além dos contratos já existentes.
