Por que o diesel ainda está longe de desaparecer, segundo a Cummins

Por Victor Fagarassi

- junho 10, 2026

Cummins Supply Chain 2024

Em meio ao avanço da eletrificação e ao surgimento de novas alternativas energéticas para o transporte, o motor diesel continua longe de se tornar uma tecnologia obsoleta. Essa é a avaliação de André Garcia, líder de Estratégia do Produto da Unidade de Motores da Cummins Brasil, que defende uma visão de transição energética baseada na coexistência de diferentes tecnologias e combustíveis.

“O diesel continua sendo uma das fontes de energia mais competitivas para transporte quando analisamos a relação entre custo e energia entregue. Isso não muda da noite para o dia”, afirma.

Segundo o executivo, o diesel ainda reúne características que dificultam sua substituição em larga escala. Além de mais de um século de evolução tecnológica, o combustível conta com uma cadeia global de abastecimento, manutenção e suporte técnico já consolidada, algo que outras soluções ainda estão construindo.

Para Garcia, o principal movimento observado atualmente não é o desaparecimento do motor a combustão, mas sua evolução contínua. Nos últimos 30 anos, as legislações ambientais reduziram em mais de 95% as emissões de poluentes tradicionais, como óxidos de nitrogênio (NOx), hidrocarbonetos e material particulado. O Brasil avançou recentemente para o padrão Proconve P8, equivalente ao Euro 6 europeu, enquanto a Europa já discute a implementação do Euro 7 entre 2029 e 2031.Cummins Andre Garcia Estrategia de Produto Motores

A partir desse estágio, no entanto, o foco da indústria tende a mudar. Se até agora os esforços estavam concentrados na redução dos poluentes locais, os próximos desafios estarão ligados à diminuição dos gases de efeito estufa, especialmente o dióxido de carbono (CO₂).

“Chegamos a um nível de emissões extremamente baixo nos motores modernos. O próximo passo passa necessariamente pela descarbonização da matriz energética”, explica.

Falta capacidade

Nesse contexto, a eletrificação surge como uma das alternativas para o transporte pesado. Contudo, Garcia destaca que a infraestrutura necessária para uma adoção massiva ainda representa um desafio significativo. Segundo estudos internos da Cummins, uma conversão imediata de toda a frota brasileira para veículos elétricos exigiria mais que o dobro da capacidade atual de geração de energia do país.

Por isso, a empresa acredita que os combustíveis renováveis terão papel central na transição energética brasileira. Biodiesel, HVO (óleo vegetal hidrotratado), biometano e etanol aparecem como alternativas capazes de reduzir a pegada de carbono sem exigir mudanças radicais na infraestrutura existente.

O executivo destaca que o Brasil possui uma vantagem competitiva nesse cenário graças à força do agronegócio. Resíduos da produção de cana-de-açúcar e outras culturas podem ser transformados em biocombustíveis, criando uma rota de descarbonização mais rápida e economicamente viável.

“A eletrificação faz sentido em determinadas aplicações, mas os combustíveis renováveis podem acelerar a redução das emissões aproveitando uma infraestrutura que já existe”, afirma.

Por que o diesel ainda está longe de desaparecer, segundo a Cummins

Para a Cummins, o futuro do transporte não será dominado por uma única tecnologia. A estratégia da empresa passa por manter investimentos simultâneos em motores diesel mais eficientes, combustíveis alternativos, motores a gás, biometano e soluções eletrificadas por meio da divisão Accelera.

Garcia acredita que a adoção de novas tecnologias continuará sendo guiada por critérios econômicos. “O transportador toma decisões com base em custo operacional e retorno sobre investimento. Por isso, a transição será gradual e baseada em soluções que comprovem sua viabilidade na prática”, conclui.

Na visão da fabricante, o diesel continuará desempenhando papel relevante por muitas décadas, dividindo espaço com novas tecnologias em uma jornada de descarbonização que será marcada pela diversidade de soluções e não pela substituição imediata de uma tecnologia por outra.

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