Evento do SETCESP aponta riscos e oportunidades para o transporte de cargas

Por Victor Fagarassi

- março 19, 2026

SETCESP

A 19ª Conferência de Tarifas – Reforma Tributária e Atualizações do Piso Mínimo de Frete, promovida pelo SETCESP em parceria com o IPTC, reuniu na última terça-feira (17) empresários, executivos, especialistas e representantes de órgãos reguladores para debater os desafios atuais do transporte rodoviário de cargas no Brasil.

Na abertura do evento, o presidente do Conselho Superior e de Administração do SETCESP, Marcelo Rodrigues (foto), chamou atenção para a instabilidade do cenário econômico. Segundo ele, fatores como a alta do diesel, o crescimento do roubo de cargas e as incertezas econômicas tornam o ambiente mais complexo para as transportadoras. “Qualquer variação de custo pode afetar diretamente a margem das operações”, destacou. O executivo ainda reforçou que o momento exige planejamento constante, acompanhamento de indicadores e revisão frequente de custos e contratos para garantir maior previsibilidade ao setor.

A presidente-executiva do SETCESP, Ana Jarrouge, ressaltou o papel da conferência como ferramenta de apoio à gestão das empresas de transporte. De acordo com ela, o objetivo é traduzir os principais debates do CONET em informações práticas, com dados que auxiliem na tomada de decisão. A executiva também destacou que o cenário se transforma rapidamente, principalmente diante dos recentes reajustes do diesel e do avanço da reforma tributária, que já impacta diretamente as operações das empresas.

IMAGEM PARA DISCOVERY (30)

Defasagem do frete e pressão de custos

Um dos temas centrais do encontro foi a defasagem do frete no país, estimada em 10,1% abaixo do custo real, conforme dados da NTC&Logística, apresentados pelo assessor técnico Lauro Valdívia. Segundo ele, o setor opera com valores inferiores ao custo de referência e, ao considerar a margem de lucro, essa diferença se amplia, comprometendo a sustentabilidade financeira das transportadoras.

Após um período de maior estabilidade ao longo de 2025, o aumento recente do diesel voltou a pressionar os custos do transporte. De acordo com Valdívia, havia uma janela favorável para recuperar perdas acumuladas, mas a nova alta dos insumos tende a dificultar esse processo e impactar os índices de inflação do setor.

Reforma tributária e mudanças operacionais

No campo jurídico, o assessor do SETCESP, Adauto Bentivegna Filho, explicou que os novos tributos — IBS e CBS — passarão a ser destacados nos documentos fiscais, deixando de compor o valor do frete. Essa mudança exigirá revisão de contratos, adequação de sistemas e ajustes nos processos internos das empresas.

Ele também alertou para riscos na cadeia de fornecedores: caso o recolhimento dos tributos não seja feito corretamente, o crédito fiscal pode ser perdido, o que exigirá maior controle por parte das transportadoras sobre a regularidade fiscal dos parceiros.

Impactos no caixa e reorganização logística

A reforma tributária também levanta preocupações sobre o fluxo de caixa das empresas. Para Marinaldo Reis, o novo modelo pode gerar diferenças entre o valor faturado e o efetivamente recebido, exigindo revisão imediata na formação de preços do frete. Por outro lado, Thiago Menegon destacou possíveis oportunidades com a tributação no destino, que pode favorecer estados com maior consumo, como São Paulo, levando empresas a reavaliar suas estratégias logísticas e até reposicionar operações.

Insegurança regulatória preocupa setor

A falta de previsibilidade nas regras também foi apontada como um dos principais desafios. Para Raquel Serini, mudanças frequentes dificultam o planejamento e aumentam os riscos operacionais das empresas.

Na mesma linha, Gil Menezes reforçou a necessidade de preparação antecipada. Segundo ela, as empresas precisam fortalecer a governança tributária, revisar contratos, mapear riscos e alinhar processos internos para evitar perdas financeiras durante o período de transição. Diante de um cenário mais dinâmico e desafiador, a principal conclusão do evento é a necessidade de adaptação rápida e decisões baseadas em dados para garantir a sustentabilidade do transporte rodoviário de cargas nos próximos anos.

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