O preço do frete de transporte rodoviário de cargas encerrou 2025 em forte trajetória de alta. No quarto trimestre de 2025, o valor médio alcançou R$ 0,422 por tonelada por quilômetro rodado, consolidando um avanço de 19% na comparação com o mesmo período de 2024.
Os números são do Frete.com, divulgados no Índice Frete.com de Preços (IFP) e apresentados na primeira edição do relatório Frete Insights, lançado neste mês. A empresa é uma das grandes plataformas digitais de transporte rodoviário de cargas da América Latina, reunindo cerca de 25 mil empresas e 900 mil motoristas cadastrados no Brasil.
Segundo Federico Vega, CEO da companhia, o frete deixou de refletir apenas oscilações de volume transportado ou variações no preço do diesel. “Hoje, o valor do frete está ancorado em fatores estruturais, como restrição de oferta de caminhões, sazonalidade do agronegócio e o piso mínimo regulado pela ANTT. O IFP traduz, com base em dados reais de mercado, o que embarcadores e transportadores já percebem na prática: os preços permanecem elevados mesmo em momentos de menor demanda”, afirma.
Fiscalização mais rigorosa e piso mínimo da ANTT sustentam alta do frete
O relatório aponta que o mercado atravessou um ponto de inflexão em 2025, com aceleração expressiva do IFP. Somente em outubro, o índice avançou 9,65%, impulsionado pelo maior rigor na fiscalização do MDF-e e pela atualização da Tabela de Piso Mínimo de Frete da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).
Essas medidas fortaleceram o piso regulatório do transporte rodoviário de cargas, reduziram a margem para quedas nos valores praticados e contribuíram para a sustentação dos preços ao longo do trimestre.
Escassez de caminhões no agronegócio pressiona preço do frete
A valorização do frete também foi influenciada pelo desequilíbrio entre oferta e demanda, sobretudo nos corredores logísticos do agronegócio. Estados estratégicos como São Paulo (4,35 cargas por caminhão), Rio Grande do Sul (3,85) e Mato Grosso (3,65) registraram níveis críticos de ocupação da frota. O cenário indica escassez relativa de caminhões nessas regiões, ampliando o poder de negociação dos transportadores e pressionando o valor do frete, especialmente nas rotas de escoamento da produção agrícola.
“As rotas de maior fluxo do Centro-Oeste para os portos do Sul e Sudeste apresentaram as maiores altas na comparação anual, evidenciando que a demanda concentrada no agronegócio foi determinante para a valorização do frete no período”, destaca o executivo.
Mudança estrutural no mercado de frete em 2025
Apesar da redução no volume total de fretes em diversas regiões ao longo de 2025, os preços seguiram em elevação. O Índice Frete.com de Preços mostra que o setor passou por uma transformação estrutural: mesmo em trimestres tradicionalmente mais aquecidos, como o terceiro trimestre de 2025, os valores permaneceram acima dos patamares registrados em 2024. Isso indica que a alta não esteve restrita apenas à sazonalidade do setor, mas reflete mudanças mais profundas na dinâmica do transporte rodoviário de cargas.
Outro fator relevante apontado pelo relatório foi o descolamento entre o preço do diesel e o valor do frete no curto prazo. Em diferentes momentos de 2024 e 2025, o frete registrou alta mesmo sem pressão significativa do combustível. O movimento reforça que variáveis como oferta de caminhões, demanda do agronegócio, sazonalidade agrícola e restrições operacionais passaram a exercer papel mais determinante na formação do preço do frete.
Graneleiros lideram valorização no transporte rodoviário de cargas
Entre os tipos de carroceria, os caminhões graneleiros apresentaram a maior valorização, com alta acumulada de 17,5% no período — reflexo direto da forte demanda nas rotas do agronegócio. Outros perfis, como baú, grade baixa e sider, também tiveram reajustes relevantes, variando entre 6% e 12%, evidenciando que a pressão sobre os preços foi abrangente e consistente em diferentes segmentos do transporte rodoviário.
De acordo com o CEO da Frete.com, o IFP se consolida como ferramenta estratégica para embarcadores, transportadoras, indústrias e empresas do agronegócio, apoiando decisões de planejamento logístico, formação de preços e negociações em um ambiente cada vez mais competitivo e volátil. O relatório Frete Insights já está disponível ao público, com atualização mensal dos indicadores e divulgação de relatórios trimestrais.
