BNDES investirá R$ 300 bi em infraestrutura em 2026

Montante equivale a 1,74% do PIB nacional. Banco diz abandonar modelo de subsídios para priorizar cofinanciamentos e atrair parceiros privados

Por Gustavo Queiroz

- fevereiro 10, 2026

Aloizio Mercadante, presidente do BNDES Foto André Telles BNDES

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) está direcionando uma média de 1,74% do PIB do país para projetos de infraestrutura anualmente, com desembolsos totais projetados para atingir R$ 300 bilhões (US$ 60 bilhões) em 2026, anunciou o presidente da instituição financeira, Aloizio Mercadante, em 9 de fevereiro.

O BNDES teve uma média anual de R$ 218 bilhões em financiamentos para infraestrutura sob a atual administração, um valor que subiu para R$ 280 bilhões em 2025. O banco se posicionou como o motor central do que Mercadante chamou de “ciclo de expansão historicamente significativo” durante um seminário em sua sede no Rio de Janeiro.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

A estratégia depende de um modelo operacional revisado, afastando-se de empréstimos subsidiados em direção a estruturas mistas com capital privado e estruturação inovadora de projetos. “O BNDES migrou para um financiamento sem subsídios, ampliando a inovação e o cofinanciamento com o setor privado“, disse Luciana Costa, diretora de Infraestrutura, Transição Energética e Mudança Climática do banco.

Ferrovias e rodovias

Um componente central é um novo produto de financiamento sob medida para a subdimensionada malha ferroviária do Brasil. Reconhecendo a longa maturação e os baixos retornos do setor, Mercadante prometeu prazos de empréstimo e carências estendidos para desbloquear um estimado R$ 140 bilhões em oito leilões futuros.

O setor rodoviário permanece como uma prioridade imediata. O banco destacou a modernização de R$ 10,75 bilhões da rodovia BR-116/RJ-SP (Presidente Dutra) e novas concessões. Comparado ao período 2019-2022, os últimos três anos viram 16 leilões rodoviários adicionais, comprometendo R$ 148 bilhões em 10.583 km de estradas.

Acordos específicos anunciados incluem um financiamento de R$ 9,2 bilhões para a EPR Iguaçu S.A. duplicar 462 km de rodovias no estado do Paraná, e a concessão de 2025 da EcoRioMinas, envolvendo R$ 7,3 bilhões em trechos no Rio de Janeiro e Minas Gerais.

Aeroportos, mobilidade urbana e clima

O impulso na infraestrutura é amplamente direcionado. Na mobilidade urbana, o BNDES afirma ser o maior investidor da América Latina em ônibus elétricos, notadamente financiando 2.500 unidades para São Paulo. Os investimentos no setor cresceram 41% para R$ 31 bilhões.

O portfólio aeroportuário inclui uma parceria de R$ 4,7 bilhões com a espanhola AENA para 11 aeroportos, sendo que o Congonhas, em São Paulo, recebe sozinho R$ 3,8 bilhões para duplicação do terminal e aumento de capacidade.

Mercadante vinculou os gastos aos objetivos de resiliência climática e descarbonização, chamando a infraestrutura de “decisiva para avançar na agenda de estabilidade climática“. O banco planeja aproveitar um modelo bem-sucedido de chamada pública para mitigação climática para lançar uma chamada para projetos de equity em infraestrutura, visando atrair parceiros privados para 75% do capital necessário.

Mudanças legais e regulatórias

Ministros do governo presentes creditaram estruturas regulatórias aprimoradas e segurança jurídica ao pipeline de investimentos. O ministro dos Transportes, Renan Filho, afirmou que o Brasil tem agora o maior pipeline de concessões rodoviárias do mundo, enquanto o ministro das Cidades, Jader Filho, confirmou R$ 8 bilhões cada para mobilidade urbana e saneamento em 2026 via fundo do FGTS.

Mercadante destacou especificamente o papel do mecanismo “Secex Consenso” do Tribunal de Contas da União (TCU) na redução de litígios prolongados sobre grandes projetos, aumentando a previsibilidade para os investidores.

Miguel Setas, CEO da concessionária Motiva, citou a estabilidade macroeconômica, a inflação controlada e a qualidade institucional como fatores que tornam o Brasil um destino estratégico para investimentos. O papel ampliado do BNDES agora testa sua capacidade de catalisar capital privado em escala para o déficit de infraestrutura de longo prazo do país.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
Compartilhe nas redes sociais

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *