O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) está direcionando uma média de 1,74% do PIB do país para projetos de infraestrutura anualmente, com desembolsos totais projetados para atingir R$ 300 bilhões (US$ 60 bilhões) em 2026, anunciou o presidente da instituição financeira, Aloizio Mercadante, em 9 de fevereiro.
O BNDES teve uma média anual de R$ 218 bilhões em financiamentos para infraestrutura sob a atual administração, um valor que subiu para R$ 280 bilhões em 2025. O banco se posicionou como o motor central do que Mercadante chamou de “ciclo de expansão historicamente significativo” durante um seminário em sua sede no Rio de Janeiro.
A estratégia depende de um modelo operacional revisado, afastando-se de empréstimos subsidiados em direção a estruturas mistas com capital privado e estruturação inovadora de projetos. “O BNDES migrou para um financiamento sem subsídios, ampliando a inovação e o cofinanciamento com o setor privado“, disse Luciana Costa, diretora de Infraestrutura, Transição Energética e Mudança Climática do banco.
Ferrovias e rodovias
Um componente central é um novo produto de financiamento sob medida para a subdimensionada malha ferroviária do Brasil. Reconhecendo a longa maturação e os baixos retornos do setor, Mercadante prometeu prazos de empréstimo e carências estendidos para desbloquear um estimado R$ 140 bilhões em oito leilões futuros.
O setor rodoviário permanece como uma prioridade imediata. O banco destacou a modernização de R$ 10,75 bilhões da rodovia BR-116/RJ-SP (Presidente Dutra) e novas concessões. Comparado ao período 2019-2022, os últimos três anos viram 16 leilões rodoviários adicionais, comprometendo R$ 148 bilhões em 10.583 km de estradas.
Acordos específicos anunciados incluem um financiamento de R$ 9,2 bilhões para a EPR Iguaçu S.A. duplicar 462 km de rodovias no estado do Paraná, e a concessão de 2025 da EcoRioMinas, envolvendo R$ 7,3 bilhões em trechos no Rio de Janeiro e Minas Gerais.
Aeroportos, mobilidade urbana e clima
O impulso na infraestrutura é amplamente direcionado. Na mobilidade urbana, o BNDES afirma ser o maior investidor da América Latina em ônibus elétricos, notadamente financiando 2.500 unidades para São Paulo. Os investimentos no setor cresceram 41% para R$ 31 bilhões.
O portfólio aeroportuário inclui uma parceria de R$ 4,7 bilhões com a espanhola AENA para 11 aeroportos, sendo que o Congonhas, em São Paulo, recebe sozinho R$ 3,8 bilhões para duplicação do terminal e aumento de capacidade.
Mercadante vinculou os gastos aos objetivos de resiliência climática e descarbonização, chamando a infraestrutura de “decisiva para avançar na agenda de estabilidade climática“. O banco planeja aproveitar um modelo bem-sucedido de chamada pública para mitigação climática para lançar uma chamada para projetos de equity em infraestrutura, visando atrair parceiros privados para 75% do capital necessário.
Mudanças legais e regulatórias
Ministros do governo presentes creditaram estruturas regulatórias aprimoradas e segurança jurídica ao pipeline de investimentos. O ministro dos Transportes, Renan Filho, afirmou que o Brasil tem agora o maior pipeline de concessões rodoviárias do mundo, enquanto o ministro das Cidades, Jader Filho, confirmou R$ 8 bilhões cada para mobilidade urbana e saneamento em 2026 via fundo do FGTS.
Mercadante destacou especificamente o papel do mecanismo “Secex Consenso” do Tribunal de Contas da União (TCU) na redução de litígios prolongados sobre grandes projetos, aumentando a previsibilidade para os investidores.
Miguel Setas, CEO da concessionária Motiva, citou a estabilidade macroeconômica, a inflação controlada e a qualidade institucional como fatores que tornam o Brasil um destino estratégico para investimentos. O papel ampliado do BNDES agora testa sua capacidade de catalisar capital privado em escala para o déficit de infraestrutura de longo prazo do país.
