Seguro pode gerar receita para transportadoras

Modelo embarcado da 88i reduz prêmios em até 30%, corta fraudes e remodela dinâmica entre carregadores e clientes

Por Gustavo Queiroz

- janeiro 21, 2026

88i

No setor brasileiro de transporte de carga e logística, tradicionalmente tratado como um custo operacional obrigatório, o seguro está sendo redesenhado como uma ferramenta para geração de receita, vantagem competitiva e integração da cadeia de suprimentos, de acordo com dados da 88i, insurtech (modernização do seguro por meio da tecnologia digital) especializada em mobilidade, logística e comércio eletrônico.

Sendo assim, a empresa relata que seus modelos de seguro embarcado estão permitindo que as transportadoras transformem uma despesa tradicional em um centro de lucro, ao mesmo tempo que garantem contratos maiores com clientes. Para as transportadoras, obter uma cobertura adequada costuma ser um pré-requisito para trabalhar com grandes embarcadores. “Quando o embarcador confia na transportadora, ele amplia a operação. O seguro funciona como um instrumento de credibilidade“, disse Rodrigo Ventura, CEO da 88i.

Rodrigo Ventura, CEO da 88i,
Rodrigo Ventura, CEO da 88i | Foto: Divulgação

Ao integrar a cobertura diretamente aos sistemas de gestão de transporte (TMS) e utilizar dados operacionais em tempo real, a empresa afirma que pode reduzir o custo do seguro em até 30% para as transportadoras, dependendo do histórico de sinistros. Essa redução, combinada com o aumento do volume de carga de clientes mais confiantes, melhora diretamente os indicadores financeiros das transportadoras.

Uma inovação principal envolve permitir que as transportadoras revendam seguros a outros participantes da cadeia. Um produto é a proteção de renda para transportadores autônomos, que fornece uma compensação temporária com base na sua renda média dos últimos 28 dias caso fiquem impossibilitados de trabalhar. De acordo com a 88i, as plataformas que oferecem esse benefício veem o engajamento voluntário desses profissionais aumentar aproximadamente 15%. “O entregador muitas vezes trabalha em várias plataformas. Essa cobertura cria um vínculo adicional, aumentando a dedicação à plataforma que a oferece“, explicou Ventura.

Para proteção de cargas, a 88i oferece apólices flexíveis (por remessa, por CNPJ do cliente ou para operações específicas) que as transportadoras podem revender aos embarcadores ou clientes finais. Em ambientes competitivos de e-commerce e dropshipping, oferecer um seguro com custo menor que o disponível no mercado geral torna-se uma alavanca competitiva direta.

Entregador 88i
Entregador | Foto: Reprodução

A abordagem digital e embarcada também reduz sinistros fraudulentos, diz a empresa. Ao cruzar dados em tempo real de TMS, aplicativos, etiquetas de remessa e rastreamento do cliente final — criando o que a 88i chama de “duas fontes da verdade” — a avaliação de risco fica mais precisa. Isso permite margens de risco menores embutidas nos prêmios. Os pagamentos de sinistros são processados digitalmente diretamente em carteiras eletrônicas.

No segmento de último quilômetro, dominado por modelos flexíveis que usam veículos de terceiros, a 88i desenvolveu coberturas específicas para roubo e danos à carga. Uma parceira nesse segmento é a Uber, por meio da qual a 88i afirma já ter alcançado 10,1 milhões de clientes protegidos.

O foco nesse nicho pouco atendido impulsionou um crescimento rápido para a insurtech. Entre 2021 e 2025, a 88i emitiu 30 milhões de apólices. A empresa relatou crescimento anual de 1.500% em 2021, 450% em 2022, 440% em 2024 e 193% em 2025. “As ferramentas tradicionais são engessadas e muitas vezes apenas impõem custos ao transportador. Nossa proposta é diferente: olhar para toda a cadeia e usar o seguro como uma ferramenta de eficiência“, encerrou Ventura.

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