Hub da ZF em Campinas acelera digitalização do aftermarket

Centro tecnológico desenvolve sistemas de conectividade para para maior eficiência de frotas, oficinas e distribuidores

Por Gustavo Queiroz

- dezembro 3, 2025

Maurício Paguaga, gerente Sênior de Soluções Digitais da ZF Aftermarket

Para acelerar a transformação digital no mercado de reposição de autopeças, a ZF Aftermarket, divisão do Grupo ZF, inaugurou o seu Hub de Soluções Digitais em Campinas, no interior de São Paulo. Este centro tecnológico não é apenas uma estrutura física, mas um ambicioso projeto estratégico que consolida em um único ambiente colaborativo todas as equipes dedicadas a desenvolver e gerir as ferramentas digitais que estão remodelando a relação entre distribuidores, oficinas e frotistas. A iniciativa representa um investimento significativo na América do Sul, posicionando a região como um polo de competência para inovações que, em muitos casos, serão exportadas para outras operações globais da empresa.

De acordo com Maurício Paguaga, gerente Sênior de Soluções Digitais da ZF Aftermarket, a criação do hub é um passo natural em uma jornada que começou há mais de dois anos. “A ZF tem uma visão bastante interessante para o futuro do mercado de reposição, no qual visualizamos que ele será cada vez mais conectado e digitalizado. Nós começamos com diversas iniciativas para contribuir e moldar esse futuro, e agora criamos este hub para consolidar as equipes que trabalham nessas ferramentas em um só local. O pessoal de desenvolvimento de software e o de negócios, que atende o cliente, agora estão centralizados para que a gente consiga ser ainda mais eficiente em trazer produtos e serviços e agregar valor“, explica Paguaga. O executivo detalha que a equipe atual é composta por 43 profissionais, sendo dois terços voltados para desenvolvimento de software e o terço restante focado em atendimento ao cliente e desenvolvimento de negócios, com planos de expansão contínua.

No front das frotas, onde a conectividade se traduz em ganhos tangíveis de eficiência e segurança, a ZF adota uma abordagem que vai além da telemetria convencional. A primeira ferramenta, batizada de Scalar, é voltada para implementos rodoviários (semi-reboques). “Os implementos rodoviários hoje já contam com os freios da ZF, os famosos freios EBS ou ABS. Esses freios geram um universo de dados sobre o implemento: peso, temperatura e pressão dos pneus, localização, velocidade e códigos de falha. Nós conectamos essa carreta e jogamos todos esses dados de uma forma fácil para o gestor de frota entender e tomar ações“, descreve Paguaga. Como a ZF é a fabricante original do sistema de freios, a empresa tem acesso a um nível profundo de dados proprietários, permitindo uma análise mais precisa e confiável.

Os resultados práticos já são mensuráveis. Paguaga compartilha um caso de sucesso com uma grande transportadora internacional. “Essa transportadora tinha muitos casos de tombamento, mesmo tendo o freio EBS. E 100% das carretas eram carregadas por terceiros, ou seja, eles perdiam completamente o controle. Após a implementação do nosso sistema, no período de um ano, houve uma redução de 90% nos acidentes desse tipo“, relata. Além da segurança, a gestão de pneus foi otimizada, resultando em uma redução de 13% nos custos com esse item. Inspirada por esse êxito, a ZF firmou uma parceria com a Goodyear, que utiliza a plataforma (TPMS Plus) para oferecer uma gestão de pneus mais eficaz aos seus clientes. A próxima fronteira é a conectividade para veículos comerciais leves, com uma solução em fase de piloto para ser lançada no segundo semestre de 2026, visando profissionalizar a gestão de frotas de pequeno e médio porte.

Para os distribuidores e oficinas, o ecossistema digital da ZF contempla serviços específicos, como um marketplace que agrega catálogos completos de distribuidores, incluindo produtos de todas as marcas disponíveis no mercado. “A nossa plataforma conecta o distribuidor e a oficina para que ela tenha condições de ter um produto competitivo e rápido, com disponibilidade imediata“, afirma Paguaga. A política de preços dentro do marketplace é neutra, seguindo as regras definidas pelo próprio distribuidor. Para além da comercialização, a plataforma integra ferramentas de identificação de peças, onde o mecânico, ao inserir a placa do veículo, consegue identificar com precisão a peça correta para o reparo.

Hub de Soluções Digitais em Campinas
Cerimônia de inauguração do Hub de Soluções Digitais em Campinas.

No âmbito dos serviços em oficina, a ZF está elevando o patamar do diagnóstico. Além dos scanners específicos para seus produtos, a empresa prepara para o próximo ano o lançamento de uma solução multimarcas integrada. “O mecânico vai ter condição de ter tudo em um só produto os diagnósticos da ZF e também o multimarcas integrado em uma única ferramenta“, adianta o gerente. A inovação não para por aí. A empresa também disponibiliza uma plataforma de gestão para oficinas que facilita a visibilidade no Google, permitindo ao usuário final localizar e agendar serviços diretamente pelo mecanismo de busca, otimizando a agenda e a operação do estabelecimento.

A aplicação de tecnologias de ponta, como a Inteligência Artificial, é um diferencial nesse ecossistema. “Quando falamos de diagnósticos veiculares, nós lançamos mão de inteligência artificial para que a solução seja cada vez mais precisa. Os diagnósticos normalmente dão uma indicação da região onde o problema pode estar. Com os modelos que implementamos, com o passar do tempo teremos condições de chegar até o exato part number que precisa ser trocado“, projeta Paguaga. Outra frente avançada é o diagnóstico remoto, já em fase de testes com frotas de ônibus. “De forma remota, nós conseguimos entender se o veículo tem algum risco de uma manutenção. Você pode encaminhá-lo para o reparo antes da quebra. Remotamente, do escritório, você consegue saber o que está acontecendo com a transmissão ou com o eixo de um ônibus, por exemplo“, ilustra.

O Hub de Campinas, que também abriga funcionários de outras localidades como Sorocaba, Itu e Sumaré em um modelo híbrido, não é uma ilha isolada. Ele se conecta a uma rede global de hubs digitais da ZF, localizados em Dublin (Irlanda), Varsóvia (Polônia), Pilsen (República Tcheca) e Barcelona (Espanha). “Esses times são globais. Muitas vezes a plataforma que a gente desenvolve aqui é utilizada em outra região, e outras vezes coisas de outras regiões são adaptadas aqui para a América do Sul“, explica Paguaga. Essa integração garante que as soluções desenvolvidas no Brasil estejam alinhadas com as mais altas demandas tecnológicas mundiais.

Os ganhos operacionais com a consolidação do hub já são perceptíveis. “De largada, há uma sinergia muito maior entre negócios e desenvolvimento. O pessoal de software está muito mais próximo de quem lida com o mercado, entendendo as necessidades do cliente de forma mais rápida para transformá-las em soluções“, avalia o executivo. Ele também ressalta que, ao aumentar a base de talentos no Brasil, a ZF ganha maior influência nos times globais, acelerando o desenvolvimento de soluções customizadas para o mercado sul-americano.

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