A Synerjet, distribuidora de aeronaves como Pilatus e Embraer no Brasil, anunciou oficialmente a entrada do drone alemão Wingcopter no mercado nacional. A apresentação, que incluiu uma demonstração de voo, detalhou as capacidades técnicas do veículo aéreo não tripulado (VANT), que se destaca pela capacidade de decolar e pousar como um helicóptero e voar com a eficiência de uma aeronave de asa fixa.
O Wingcopter é classificado como um drone elétrico de Classe 3 (peso máximo de decolagem de 25 kg) e é projetado para operações BVLOS (Beyond Visual Line of Sight), ou seja, além da linha de visada do operador, um diferencial crucial para missões de longo alcance.
Segundo a fabricante, o modelo Wingcopter 198 possui envergadura de 1,98 m; comprimento de 1,52 m; altura de 0,65 m; o drone pesa 10 kg; a bateria pesa outros 10 kg; capacidade para transportar 4,7 kg de cargas por meio de seu próprio compartimento aerodinâmico ou caixas desenvolvidas por parceiros e homologadas pela fabricante; o Peso Máximo de Decolagem (MTOW) é de 25 kg; possui autonomia de até 94 km; atinge velocidade de cruzeiro de até 90 km/h (no modo asa fixa); possui tempo de voo estimado em cerca de 50-60 minutos com tempo de recarga da bateria equivalente ao tempo de voo (aproximadamente 1 hora).
A Synerjet destacou duas versões iniciais do drone para o mercado brasileiro:
- Uso logístico: Projetado para transportar cargas em uma caixa padrão acoplada à fuselagem. A aplicação principal é o transporte rápido de itens críticos e perecíveis, como vacinas, medicamentos, bolsas de sangue, amostras de laboratório e peças de reposição de alto valor. Durante a demonstração, o drone transportou uma caixa térmica simulando o delivery de insumos médicos. A caixa de carga padrão pode ser customizada conforme a necessidade do cliente, desde que sejam respeitados os limites de peso, balanceamento e aerodinâmica da aeronave.
- Wingcopter com Sensor LiDAR: Equipado com um scanner laser (LiDAR) para mapeamento aéreo. Essa configuração é voltada para a inspeção de ativos de infraestrutura, como linhas de transmissão de energia, rodovias, áreas de mineração e monitoramento ambiental. O sensor é capaz de identificar vegetação, medições precisas de altura e até mesmo corrosão em estruturas.
Certificação e Cronograma no Brasil

Um dos pontos centrais da apresentação foi o status da certificação junto à Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC). O processo está em andamento há 14 meses e, segundo a Synerjet, faltam apenas dois itens para a conclusão da documentação. A previsão é que a certificação final seja concedida até o início de 2026.
Enquanto isso, a empresa opera com um Certificado de Autorização de Voo Experimental (CAV). A ANAC solicitou voos de teste adicionais no Brasil para validar itens como o sistema de iluminação, que por exigência regulatória nacional deve ser visível a 900 metros de distância em céu claro. A Synerjet também informou que os processos de certificação junto às autoridades dos Estados Unidos (FAA), Europa (EASA) e Japão ocorrem em paralelo, em estágios diferentes.
Modelo de negócio
O modelo inicial prevê a venda direta dos drones para empresas que queiram operar seus próprios serviços, como companhias de logística, concessionárias de energia e laboratórios. No entanto, a Synerjet não descarta um modelo híbrido inicial, no qual ela própria opere os drones para provar o conceito antes da venda definitiva.
“O Wingcopter se propõe a resolver dois grandes problemas da logística: a integração de localidades remotas com infraestrutura precária e, no futuro, a superação de grandes congestionamentos em centros urbanos. O Brasil tem esses dois problemas de sobra“, explica Fabio Rebello, CEO da Synerjet Brasil.
Armando Koerig Gessinger, Head of Sales at Wingcopter, listou os casos de sucesso em experimentações internacionais:
- Japão e EUA: Transporte de medicamentos e sangue para a Cruz Vermelha.
- Malaui e Quênia: Distribuição de vacinas contra COVID-19 e transporte de amostras de laboratório.
- Vanuatu (Oceania): Caso emblemático do transporte de um equipamento de sucção que salvou a vida de um recém-nascido com dificuldade respiratória.
Estrutura

A Wingcopter, uma startup alemã, já captou cerca de 100 milhões de euros em investimentos, grande parte destinada ao desenvolvimento do drone. A Synerjet não revelou o valor exato do seu investimento como cliente e parceira, mas confirmou que foram “alguns milhões de euros” para a aquisição de um lote de “dezenas de unidades“.
As primeiras duas unidades já estão no Brasil, sendo uma para uso logístico e outra para mapeamento. Mais três chegarão ainda este ano, com a maior parte do lote sendo entregue entre 2026 e 2027.
O treinamento para operadores do Wingcopter tem duração de duas semanas (uma teórica e uma prática). Por se tratar de um drone Classe 3 operando em BVLOS, não é exigida uma licença específica de piloto da ANAC atualmente, mas o operador precisa ser maior de 18 anos e estar registrado no sistema governamental.
A Synerjet garantiu que oferecerá suporte técnico completo no país, com estoque de peças de reposição críticas, como baterias, superfícies de comando e componentes da fuselagem de fibra de carbono.
Demonstração e Perspectivas
O evento foi marcado por uma demonstração prática do Wingcopter em sua configuração de logística. O drone decolou verticalmente, transitou para o modo de voo de asa fixa e cumpriu uma rota programada para entregar uma caixa.
A expectativa da Synerjet e da Wingcopter é que, uma vez certificado, o drone se torne uma ferramenta valiosa para melhorar a eficiência e a velocidade de serviços logísticos críticos e alto valor agregado no Brasil, um mercado considerado extremamente promissor devido às suas dimensões continentais e desafios de infraestrutura.
