Como a Torre de Controle amplia a visão do transportador

Funcionando como um hub, a tecnologia ganhou força há 10 anos e tornou-se primordial tanto para segurança quanto para eficiência no transporte de cargas

Por Victor Fagarassi

- setembro 16, 2025

Apisul

No início dos anos 2000 o Brasil passou por uma grande mudança com a expansão do mercado de tecnologias para rastrear caminhões. A evolução da segurança trouxe uma infinidade de ferramentas, sensores e atuadores. Com muitas tecnologias distintas e novas, faltava um modelo de integração. Nesse contexto nasceu a Torre de Controle, responsável por, primeiro, integrar qualquer tipo de hardware e traduzir a operação de uma apólice de seguro em um modelo operacional. Mais recentemente, há cerca de 10 anos, a segurança viária também entrou em cena e foi incorporada neste monitoramento.  

Max Rodrigues, ApisulMax Rodrigues (foto), Diretor Comercial de Serviços da Apisul, ajuda a explicar o conceito. “Existe uma discussão entre torre logística e torre de security, mas defendo a “torre total” ou “controle total”, que é integrada e faz a mediação entre roubo/eventos de segurança e a logística”. A torre de controle se tornou mais comum no mercado por volta de 2010, uma década após a popularização do rastreador. 

Como a Torre de Controle opera?

Separando em três momentos, o começo é com um sistema TMS (Transportation Management System) que cuida de tudo necessário para iniciar a operação, como programação, faturamento e controle de variáveis como pneu e combustível

Na sequência entramos no chamado Controle de Pátio, que nada mais é que a chegada do veículo para carregamento, usando tecnologias de mapeamento para monitorar em tempo real os tempos de pátio. “Isso é crucial porque gera um conflito clássico: o embarcador quer o caminhão parado o mínimo possível, enquanto o transportador precisa cobrar diárias se o veículo ultrapassar o tempo contratado no pátio. A torre controla esses tempos e liberações”

Por último, o Monitoramento de Viagem, onde são controlados os dados de tempo de viagem, por exemplo. Atuando como um verdadeiro hub de informações da operação, ali são analisados vários KPIs que geram alertas em tempo real para esse operador. 

Cada operação tem seus KPIs específicos. Para um cliente como a Suzano, que opera em circuito fechado com toras de madeira, o foco é acidente e janela de entrega precisa para não parar a fábrica. Já um transporte de Porto Alegre a São Paulo foca em outros indicadores. O objetivo final sempre é produção, produtividade, redução de custos e de acidentes”. Explica Max. 

Inteligência Artificial incorporada na Torre de Controle

A Apisul, que foi uma das pioneiras no serviço desde o início dos anos 2000, começou os estudos para incorporação de IA em 2023. O primeiro uso foi no atendimento. “Substituímos menus de autoatendimento por IA que transcreve áudios dos motoristas e entende o problema para buscar uma solução, agilizando muito o processo”. 

Para o futuro próximo, o trabalho está sendo feito para usar IA na tratativa de ocorrências. Em vez de ter um operador humano, a IA iniciaria um diálogo automatizado “Em vez do operador gastar tempo para entender por que a sirene foi acionada, a AI executa direto. “Isso tornaria a operação muito mais eficiente, especialmente para o transportador, que é o elo mais frágil e precisa de agilidade para lidar com trânsito, clima e roubo. Temos uma diretoria exclusiva trabalhando nisso; é uma questão de sobrevivência e diferencial no mercado”. Pontua Max. 

Torre de Controle da Suzano
Torre de Controle da Suzano foca em acidentes e janelas de entrega

Adaptação para o Last Mile

A Torre de Controle tem a função e a importância de ter controle de todos os passos de operação. O executivo da Apisul comenta que o maior desafio está na distribuição e no last mile. Um caminhão carrega para um CD, a carga é fracionada e colocada em veículos menores (como furgões ou até bicicletas), onde se perde a rastreabilidade do veículo e passa a ser necessária a rastreabilidade da carga ou do entregador.

Isso levou à criação de APPs, como o Absumob, que rastreia o celular do condutor. É menos seguro para “security”, mas mantém a rastreabilidade logística. Empresas como Amazon e Mercado Livre usam isso. Esses APPs se integram à torre, estendendo seu alcance.

Essa foi uma evolução impulsionada pela melhoria das redes de celular. Nos anos 90/2000, tínhamos três modelos de rastreamento: satelital (robusto, mas caro), GSM/GPRS (celular) e RF (para áreas restritas). A melhoria na malha de torres de celular permitiu o rastreamento via APP para a última milha.

Max também cita o controle de temperatura como um ponto especial. “É uma funcionalidade crítica da torre. Clientes como Unilever ou redes de fast-food monitoram a temperatura de carga estritamente para garantir a qualidade do produto. Isso gera KPIs de performance, e o não cumprimento de metas pode resultar em penalidades no frete. É um investimento baixo para um retorno enorme em segurança e qualidade.”

Mais informação é dinheiro para o transportador

Para o transportador, a torre traz redução de custos com otimização de fretes e redução de caminhões rodando vazios. Ele consegue ver, por área, a melhor disponibilidade de caminhão para um tipo de carga. Em leilões de frete (“bid”), onde vários transportadores concorrem, ter a operação na mão é crucial para cumprir SLAs (Acordo de Nível de Serviço em inglês) e evitar multas. “Além disso, dá ao transportador uma gestão à vista de todo o processo, reduzindo sua dependência dos embarcadores e trazendo mais segurança para o seu negócio”. Fala Max.

Para esse transportador, investir em tecnologia para otimizar a frota não é mais um luxo, é uma questão de sobrevivência. Os fretes estão apertados, as exigências por qualidade são maiores e os custos (como diesel e pneu) estão altos. Sem isso, ele sai do mercado. “A torre de controle possibilita enfrentar esses novos desafios em um modal que, creio eu, continuará sendo predominantemente rodoviário por um bom tempo. O recado é: soluções inteligentes e conexão para uma gestão completa da cadeia”. Finaliza o especialista.

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