Pouca disponibilidade de crédito, uma alta taxa de juros e pouca confiança no momento atual da economia brasileira. Todos esses fatores combinados levaram o mercado de implementos rodoviários a registrar uma queda de 20% nos volumes no primeiro semestre do ano, segundo a ANFIR, que reúne os fabricantes do produto. Apesar do cenário sombrio, situação bem diferente vive o mercado de reforma de implementos que segue acelerado.

“O movimento de reformas aquece na crise, como acontece com os automóveis usados. Quando a situação aperta, o pessoal corre para as oficinas, ao invés de comprar um carro novo”, comenta Osmar Santos, CEO da 4Truck, fabricante de implementos que também atua no ramo da reforma. O executivo endossa a previsão de queda nas vendas da Anfir, em especial por conta do alto custo do financiamento. “Quando a taxa de juro está a 15% ao ano, a conta não fecha. O transportador segura o investimento e busca a reforma ou a compra de um usado”.
Segundo o especialista, grandes frotistas trocam o implemento a cada cinco anos, em média. Porém, em momentos de baixa do frete, conseguem flexibilizar suas regras e estender a vida útil dos implementos por mais um ou dois anos. Já o perfil de quem reforma é o pequeno transportador ou autônomo, que precisa estender a vida útil do produto por 10, 15 anos. Nesse caso, a saúde do mercado produz um efeito brutal, ao incentivar o comprador em buscar a opção mais em conta.
Garantia estendida

Entre os vários tipos de implementos, o baú de alumínio é o que mais necessita de reforma, por conta das facilidades de sofrer avarias com batidas ou galhos durante a operação. Segundo Osmar, esse modelo representa cerca de 60% das vendas. Entre os serviços mais comuns destacam-se o conserto de estrutura (amassados), vedação (infiltração), elétrica (luminárias) e fixação (parafusos e grampos). Uma vez que o prazo médio da reforma é de três anos, a 4Truck já estuda aumentar a garantia dos produtos novos de um para dois anos.
Vale lembrar que a reforma não necessita de uma nova homologação do implemento, salvo se as características do conjunto forem alteradas. “Isso só ocorre quando cliente quer mudar o tipo de carroceria. Por exemplo, na troca de um baú fechado por carroceria aberta, instalar um tanque extra ou alongar o chassi”.
Uma vez reformado, o implemento fica em condições próximas à original, sem quaisquer restrições operacionais. Mas o CEO alerta para alguns cuidados básicos recomendados. “É preciso evitar o uso de produtos químicos agressivos na lavagem, especialmente nos baús de alumínio e cuidar para fazer a amarração correta da carga, evitando o ripamento indevido”.
Reformas em alta
Nas contas de Osmar Santos, a 4Truck acusou uma queda de 15% nas vendas de implementos novos entre janeiro e junho de 2025. E, ainda, um aumento de 20% nas reformas, com tendência e alta. “Se o crédito continuar difícil até o final o ano, é certo que as empresas vão adiar a compra de novos e investir na reforma. É histórico”, atesta o CEO da empresa.
