Bruto por natureza: Implementos brasileiros são mais robustos

Para o diretor Comercial da Librelato, os implementos rodoviários fabricados no país refletem as especificidades locais e, por isso, diferem dos produtos do exterior

Por Gustavo Queiroz

- julho 23, 2025

Imagem de bitrem meramente ilustrativa gerada por IA | Frota&Cia

Sempre que visitam feiras internacionais de transporte os empresários brasileiros se deparam com as gritantes diferenças entre os implementos produzidos lá fora e os fabricados em nosso país. Enquanto na Europa e EUA predomina o uso de materiais que beneficiam o design, a aerodinâmica e a leveza, além da segurança na forma de freios ABS, suspensão a ar e muitos outros ítens, o Brasil ainda vive um processo de transição. Para aguentar a baixa qualidade das nossas estradas, os implementos produzidos localmente são fabricados em aço em sua grande maioria, no lugar do alumínio e precisam contar com suspensões bem mais robustas e pesadas, entre outras diferenças.

Segundo João Librelato, diretor Comercial da Librelato, o mercado brasileiro de implementos rodoviários se destaca por suas particularidades, que refletem as dimensões continentais do Brasil e a diversidade de aplicações regionais. Por isso, o país adota um modelo protecionista, onde as especificidades locais moldam a indústria de transformação.

Tentativas frustradas

João Librelato
João Librelato: O mercado nacional demanda produtos específicos e sob demanda

O Amazonas tem um tipo de economia totalmente diferente do Piauí, do Paraná ou do Espírito Santo. Cada estado exige um produto específico diante de suas próprias características“. Essa necessidade de customização e assistência técnica próxima, explica o diretor, dificulta a entrada de competidores internacionais, como demonstram as tentativas frustradas de empresas como Krone, Kögel e Schmitz Cargobull no mercado brasileiro, por exemplo.

Librelato admite que enquanto os fabricantes do exterior priorizam a eficiência energética nos implementos, o Brasil ainda avança lentamente nesse aspecto (ver quadro). “Mas, também não paramos no tempo”, ressalva o especialista. Ele lembra que a Librelato investe em design aerodinâmico, como no lançamento da primeira basculante premium com apenas uma costela (estrutura de sustentação), que reduz o arrasto e oconsumo de combustível. “Testamos soluções como capas para protetores ciclistas, que chegam a reduzir 5% do consumo, mas o custo ainda é uma barreira“, explica.

Apesar da suspensão mecânica predominar no mercado nacional, o executivo acredita que a transição para sistemas pneumáticos será impulsionada por legislações e demandas por segurança rodoviária. Para o futuro, três pilares devem guiar o setor, segundo João: segurança, com tecnologias como EBS e controle de estabilidade; eficiência de custo, por meio de produtos dedicados a aplicações específicas; e qualidade da carga, garantindo a preservação de características como umidade e temperatura durante o transporte.

No entanto, a cultura do “curto prazo” ainda é um obstáculo. “O cliente prefere pagar menos agora, mesmo que o TCO (Custo Total de Propriedade) comprove que um produto mais caro é vantajoso no longo prazo“, lamenta. Por conta desse fato, o Brasil segue um caminho único, com soluções adaptadas à sua realidade. “Entregamos equipamentos de ponta, mas a evolução depende de mudanças culturais, do desenvolvimento das cidades e da infraestrutura nacional”, admite o diretor Comercial da Librelato.

Diferença entre países

Tal qual o Brasil, os mercados internacionais também se referenciam com base nas características peculiares de cada praça, em relação à produção de implementos rodoviários. A China, por exemplo, se distingue no processo produtivo por sua ampla capacidade, bem como em robótica, soldagem e pintura. Já a Europa é referência na especialização de produtos próprios para cada tipo de carga, como equipamentos diferenciados para grãos e fertilizantes. Os Estados Unidos, por sua vez, se destacam em sistemas de suspensão devido às legislações variadas entre os estados. Por fim, a Turquia lidera em sistemas de freio a ar e componentes pneumáticos. “No Brasil, temos por característica usar o mesmo produto para diferentes tipos de carga, pois é comum transportar uma mercadoria no trajeto de ida e outra no retorno”, explica João Librelato em defesa de nossas particularidades.

Librelato com costela sem costela
Testes simulados de engenharia comprovam melhora da eficiência aerodinâmica na estrutura com costela e relação ao modelo sem costela | Foto: Divulgação
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