Eixos elétricos terão aceitação gradativa no Brasil, aposta CDBS

Fabricante estima que, em dez anos, eixos elétricos poderão estar consolidados no Brasil. Primeira em operações urbanas e, depois, longas distâncias

Por José Augusto Ferraz

- julho 1, 2025

Eixo elétrico traseiro CDBS

A indústria automotiva brasileira e mundial vive um importante momento de transição, diante do avanço da eletrificação nos veículos comerciais. A novidade deve provocar uma profunda transformação tanto na forma de produção de caminhões e ônibus como, também, na concepção da maioria dos componentes que compõem o trem-de-força desses veículos. Casos dos eixos de tração mecânica que podem ser substituídos em futuro próximo por eixos elétricos, movidos por baterias.

Fabricantes do componente admitem que essa disruptura tecnológica é um fato inevitável, embora a plena aceitação do produto deva demorar algum tempo para acontecer, em especial no caso brasileiro. Kleber Assanti, gerente geral da CDBS para América do Sul, que integra o Grupo Cummins, acredita que os eixos de tração elétrica têm potencial maior para substituir o trem de força convencional, sobretudo em aplicações urbanas. E não sem razão.

Kleber Assanti, gerente geral da CDBS para América do Sul, fala sobre o futuro dos eixos elétricos
Kleber Assanti, gerente geral da CDBS para América do Sul

“Essa arquitetura torna o sistema muito mais eficiente e seguro, sendo especialmente adequada para operações com perfis de trajeto previsíveis, como o “anda-e-para” do transporte público”, garante o especialista. O mesmo se aplica às aplicações de longa distância, embora persista o desafio da recarga e autonomia do veículo, fato que ainda não tem uma solução definitiva.

Segundo Assanti, a Cummins vem liderando essa transformação com seu eixo elétrico integrado, por conta de suas inúmeras virtudes. “Consideramos nossa solução uma arquitetura definitiva. O eixo elétrico já está em operação nos Estados Unidos e pronto para ser aplicado à realidade brasileira”, observa o gerente. Ele reconhece que múltiplas soluções irão coexistir, com tecnologias diferentes atendendo a necessidades distintas.

Na visão do gerente da CDBS, os eixos eletrificados oferecem vantagens significativas, como redução de componentes mecânicos (motor, transmissão e cardan), ganho de eficiência energética, simplificação da arquitetura do veículo e aumento do espaço útil entre os chassis para acomodação de baterias, o que amplia a autonomia elétrica. Além disso, há redução na necessidade de manutenção, devido ao menor número de peças móveis e desgaste. Como limitações, destacam-se o custo ainda elevado em função da baixa escala de produção, a necessidade de infraestrutura elétrica de recarga e a adaptação da cadeia de fornecimento e manutenção.

Uma alternativa para isso é a hibridização através de eixos eletrificados, considerada como solução mais viável para o Brasil. Sobretudo em operações urbanas, incluindo ônibus e veículos de entrega com rotas previsíveis, onde é possível garantir infraestrutura de recarga e aproveitamento máximo da regeneração energética.

Solução integrada

A novidade foi apresentada na última Fenatran na forma de um eixo elétrico 14Xe de quarta geração, desenvolvida pela divisão Accelera by Cummins. Trata-se de uma solução integrada, que combina motor elétrico e transmissão de duas velocidades embarcadas diretamente no eixo traseiro. A tecnologia elimina motor a combustão, transmissão tradicional e cardan — o que resulta em um sistema mais leve, eficiente e de manutenção simplificada.

Nova geração eixo elétrico 14Xe
Nova geração eixo elétrico 14Xe

Em que pese as diferenças em relação à Europa e EUA, onde a tecnologia já se mostra mais presente em inúmeras aplicações, a Cummins acredita que o eixo elétrico tem grande potencial no Brasil. Especialmente em nichos como ônibus urbanos e veículos de distribuição, onde o perfil de operação favorece a eletrificação.

O executivo entende que a tecnologia tende a se tornar mais competitiva em custo e viável comercialmente no mercado nacional, com o avanço da escala de produção. “Atualmente, a solução já está pronta para ser aplicada no país, utilizando a nossa estrutura local e, importando componentes, como o motor elétrico e a transmissão enquanto o volume ainda é limitado”, admite o representante da CDBS.

Assanti revela que a empresa está em permanente diálogo com as montadoras de veículos para viabilizar essa transição. E que a adoção mais ampla da tecnologia deve acontecer entre 2030 e 2035, com base nas projeções e maturação do mercado internacional.

“No curto prazo, o maior desafio ainda é a baixa representatividade dos veículos elétricos frente ao total da frota: hoje é 99% convencional e menos de 1% elétrico”, calcula o gerente. “Assim fica difícil de competir, mas acreditamos que com o tempo isso vai se equilibrar”, completa.

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