O mercado de reposição na Eaton se rende à modernidade, ao investir nas ferramentas digitais para levar conteúdos técnicas e ofertas para milhares de interessados
O mercado de reposição de componentes para veículos comerciais enfrenta uma série de desafios e oportunidades, em meio às transformações tecnológicas e mudanças nos hábitos de consumo nos dias atuais. A começar pela crescente digitalização, a expansão das mídias sociais, a demanda por veículos mais eficientes e sustentáveis e a necessidade de adaptação às novas tecnologias e perfis de clientes, entre outros.

Gustavo Orrú, Diretor Geral da Unidade de Negócios de Aftermarket do Grupo Mobility América do Sul da Eaton, acredita que o principal desafio é modular a comunicação para que cada passo do fluxo do aftermarket tenha as informações necessárias. “Enquanto distribuidores precisam de dados técnicos e comerciais, os aplicadores (mecânicos, oficinas e frotistas) demandam informações sobre durabilidade e qualidade”, destaca o especialista.
Além disso, a concorrência com produtos importados, especialmente da China e Índia, exige que as marcas tradicionais reforcem outros diferenciais, como qualidade, disponibilidade e suporte técnico. “Não basta competir apenas no preço. É preciso mostrar que, em um ciclo de vida mais longo, o produto premium oferece melhor custo-benefício“, afirma Gustavo com convicção.
Compras digitais
A transição para o ambiente digital também exige o máximo de atenção. Catálogos físicos estão sendo substituídos por plataformas online, e até mesmo treinamentos técnicos migram para lives e conteúdos digitais. “Hoje, até oficinas pequenas usam celular para comprar peças. O desafio é integrar toda a cadeia nesse ecossistema digital“.
Aliado a esse fato, o representante da Eaton destaca que a compra via digital é uma continuidade da compra física. “Essa é uma compra técnica onde, às vezes, o interessado vê a necessidade de levar a peça para o vendedor conferir, para ter a certeza de que é a certa. Na segunda e terceira compra, aí sím, ele vai direto pelo digital”.

Apesar dos avanços tecnológicos, Gustavo Orrú ressalta que o sucesso do aftermarket ainda depende das pessoas. “A transformação digital só funciona se houver capacitação em toda a cadeia, do chão de fábrica ao mecânico”. Por isso, no esforço de aproximar fabricantes, distribuidores e mecânicos, a Eaton criou o Jornada Eaton, um programa presencial que leva treinamentos técnicos, campanhas comerciais e experiências práticas a diferentes regiões do Brasil. “Escolhemos um distribuidor parceiro e transformamos seu espaço em um ponto de encontro com expositores, materiais de comunicação e promoções focadas em uma linha de produtos”, explica. O evento já passou por estados como São Paulo e Mato Grosso, reunindo até 160 participantes em uma única semana.
Inevitavelmente a Inteligência Artificial entra na conta também. A empresa vem utilizando esse recurso, principalmente em duas frentes. Primeiro no desenvolvimento de produtos através de simulações avançadas, que reduzem a necessidade de testes físicos. Depois para a análise de mercado, identificação de tendências e estratégias em tempo real.
Na visão do diretor, a manutenção preditiva, baseada em sensores e dados, será o próximo grande salto. “Em vez de trocar peças por tempo de uso, o sistema avisará quando a troca for realmente necessária”. O mesmo acontece com a conectividade e a eletromobilidade, que estão revolucionando o setor. “Estamos finalizado o processo para lançar uma grande novidade no campo da telemetria ativa focada em economia, que vai ser muito interessante”, completa.
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