De olho no futuro, Marcopolo investe no hidrogênio para uso veicular

Fabricante gaúcha desenvolve tecnologia com hidrogênio para uso veicular, diante de suas vantagens e a opção de produção 100% nacional

Por Victor Fagarassi

- junho 12, 2025

modelo Audace 1050 Fuel Cell a hidrogênio para uso veicular

Líder na produção de carrocerias para ônibus em nível mundial, a gaúcha Marcopolo vem ampliando cada vez mais seu portfólio de soluções de mobilidade. No esforço de atender aos mercados da América Latina, África e Ásia, a empresa investe fortemente na pesquisa e desenvolvimento de novas gerações de veículos para uso no transporte público, como trens e ônibus elétricos. Incluindo tecnologias inovadoras como o hidrogênio para uso veicular.

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Renato Machado Florence, gerente de Planejamento e Desenvolvimento na Marcopolo

A empresa já desenvolve projeto semelhante em outros países, como China, Austrália e Colômbia. Em 2023, a Marcopolo apresentou na IAA o modelo Audace 1050 Fuel Cell (foto), em parceria com a chinesa Sinosynergy. Já no Brasil, a estratégia é priorizar fornecedores locais e adaptar a tecnologia do hidrogênio às condições nacionais. “Queremos um produto 100% brasileiro, desenvolvido para nossa realidade, sem depender de soluções importadas caras ou frágeis”, explica Renato Machado Florence, gerente de Planejamento e Desenvolvimento na Marcopolo.

Entre outras vantagens do uso do hidrogênio, em comparação com veículos a diesel e elétricos a bateria, Florence destaca a redução significativa dos custos operacionais, bem como a eliminação completa das emissões de CO2. Sem contar a diferença de autonomia e tempo de recarga dessa modalidade de veículo. Enquanto os modelos puramente elétricos enfrentam limitações de alcance (cerca de 200 km por dia) e exigem horas de recarga, os ônibus a hidrogênio podem rodar até 500 km com apenas 4 a 5 minutos de abastecimento – tempo similar ao de um veículo a diesel.

marcopolo onibus hidrogenio 4Acrescente a isso, o fato do hidrogênio permitir uma redução de 75% no uso de baterias, diminuindo o peso do veículo e aumentando a capacidade de carga útil. “Isso traz benefícios em eficiência energética, custo e estrutura do ônibus”, afirma o representante da Marcopolo.

Busca de escala

Apesar de suas vantagens, a adoção em massa do hidrogênio no Brasil encontra alguns obstáculos. A começar do custo de produção do hidrogênio verde, que precisa ganhar escala para se tornar competitivo. “O desafio é fomentar a cadeia de produção nacional para que o preço do quilo do hidrogênio seja viável”.

Outro ponto crítico é a pureza do combustível, essencial para a durabilidade das células a combustível, que convertem hidrogênio em energia elétrica. “O hidrogênio precisa ter alta pureza (99,999%) para evitar a degradação precoce do sistema”, destaca Renato.

Mesmo assim, a Marcopolo enxerga inúmeras oportunidades para o hidrogênio, em segmentos importantes do transporte rodoviário de passageiros. É o caso do fretamento que opera em rotas de até 400 km por dia, hoje inviáveis para elétricos a bateria. Além do transporte urbano, ao oferecer maior disponibilidade do veículo, sem a necessidade de recargas diárias prolongadas. “Com o hidrogênio é possível rodar quase 24 horas sem parar, diferentemente dos elétricos a bateria”, conclui o especialista.

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Õnibus a hidrogênio podem rodar até 500 km sem abastecer

 

Para Renato Machado Florence, o hidrogênio surge como complemento a outras tecnologias verdes, como elétricos a bateria e híbridos, especialmente em aplicações de longa distância. “Não existe uma única solução para a descarbonização no transporte. O hidrogênio é uma alternativa estratégica para rotas onde a bateria não é viável”, ressalta. Não sem motivo, a Marcopolo busca acelerar a adoção dessa tecnologia no Brasil por meio de projetos piloto em andamento e parcerias com universidades e usineiros, que permitam alinhar sustentabilidade, eficiência e desenvolvimento industrial local.

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