A retomada das vendas de caminhões em 2024 aos níveis pré-pandemia, depois de um forte recuo no ano anterior, repercutiu igualmente nos resultados da Mercedes-Benz. Os licenciamentos da marca ultrapassaram as 25 mil unidades no ano, alta de 18% em relação aos 22,7 mil caminhões licenciados em 2023.
“O mercado de 2024 foi realmente extremamente positivo. Desde o começo do ano já vínhamos detectando que a transição da tecnologia Euro 5 para o Euro 6 teve uma boa aceitação dos clientes, levando à consolidação do produto”, admite Jefferson Ferrarez (foto), vice-presidente de Vendas, Marketing, Peças e Serviços Caminhões da Mercedes-Benz.
Contribuiu ainda para esse cenário a alta demanda no setor do agro, que continuou muito forte na visão do executivo. Junto com a construção civil, mineração e logística urbana, que mostraram uma evolução mês a mês durante o ano todo. “Para completar, ainda tivemos um crescimento bem considerável no último trimestre por causa da Fenatran, que movimentou bastante o mercado de caminhões e resultou em um bom número de emplacamentos no finalzinho do ano”, acrescenta Ferrarez.
Aumento compensado
Nem mesmo os juros mais elevados dos financiamentos contribuíram para a pioro desse quadro. Segundo o especialista, houve de fato um acréscimo nas taxas de juros, que foi compensado pelo movimento positivo das marcas em fazer campanhas para manter uma atratividade boa e uma competitividade para os clientes.
Não sem motivo, Jefferson mantém uma expectativa bem positiva para o ano em curso, ainda que pairem algumas incertezas no ar nesse primeiro trimestre. A começar pela taxa de juros que alcançou um patamar ainda mais elevado, associada à tem questão do risco do crédito ao cliente. E, também, pela própria mudança cambial que traz mais custo para a indústria.
“Isso indica que provavelmente vai ter algum reposicionamento de preço, o que causa uma certa apreensão no mercado sobre sua aceitação. A variação da cambial, por outro lado, abre mais oportunidades para exportação, o que garante a expansão da produção”, ressalta Ferrarez.
