A Gol aumentou em 11% a receita por passageiro ponderada por quilômetro rodado (Prask, na sigla em inglês) em maio, na comparação com o mesmo período de 2012. A taxa de ocupação total dos voos no mesmo período ficou estável, em 66,1%, o que indica um incremento da rentabilidade da segunda maior companhia aérea brasileira.
Segundo analistas de mercado, os dados vieram em linha com as expectativas. “Os números de maio foram os que eram esperados”, apontaram em relatório os analistas do Bank of America Merrill Lynch (BofA) Sara Delfim, Murilo Freiberg e Roberto Otero.
Segundo a Gol, a oferta total de assentos recuou 2,7% no período, mesma variação da demanda. No mercado doméstico, a taxa de ocupação subiu 0,3 ponto percentual, a 66,9%, reflexo do recuo de 6,1% na oferta de assentos e de 5,6% na demanda.
A companhia informou por meio de comunicado que a redução da oferta ocorreu em menor patamar do que nos meses anteriores porque o movimento de busca por maior rentabilidade começou em abril de 2012, alterando as bases de comparação.
Em relação a abril, a taxa de ocupação doméstica caiu 0,5 ponto percentual, para 67,7%. A oferta subiu 2%, enquanto a demanda avançou apenas 1,3%.
O “yield” da Gol, indicador que baliza o reajuste de passagens e mostra o valor que o passageiro paga por quilômetro, subiu 11% em maio na comparação anual, ficando entre R$ 0,20 e R$ 0,205.
O preço do combustível contribuiu para impulsionar as margens no período, com queda de 0,1% em relação a maio do ano passado. Essa foi a maior diferença entre a variação do combustível e da receita por passageiro na história da companhia, segundo a própria Gol.
No mercado internacional, a oferta total de assentos da Gol em maio subiu 39,3% em relação ao mesmo período de 2012. A demanda, por sua vez, cresceu 40,1%. Com isso, a taxa de ocupação da empresa aumentou em 0,3 ponto percentual.
Em relação a abril, a oferta nas rotas internacionais evoluiu 5,3% e a demanda, 3,1%. A taxa de ocupação recuou 1,2 ponto percentual.
Analistas do BofA disseram que a prévia de maio mostra que a Gol deve ter perdido mercado no acumulado do ano. O banco aponta que os dados indicam que as margens operacionais devem continuar negativas no segundo trimestre. A estimativa é que a relação entre lucro antes de juros e impostos (Ebit) e receita fique em -3,8% no período.
De acordo com o BofA, o desempenho em junho será crucial para determinar as margens, em virtude a depreciação do real – que afeta os gastos com combustíveis, denominados na moeda americana. O relatório afirma ainda que a estratégia da TAM de aumentar a taxa de ocupação e não a rentabilidade, como a Gol, pode causar nova perda de fatia de mercado e estimular uma “guerra de tarifas”.
Para outros analistas ouvidos pelo Valor, desde a publicação do balanço do primeiro trimestre, predomina a expectativa de que a Gol está disposta a manter a estratégia de corte de custos em busca de manutenção de margens, mesmo que em detrimento de participação de mercado.
Entre janeiro e março de 2013, a Gol contabilizou prejuízo de R$ 75 milhões, 82% superior às perdas contabilizadas um ano antes. A receita recuou 3,8% no período, para R$ 2,08 bilhões, mas as despesas caíram em maior proporção que as receitas, 8,6%, para R$ 1,76 bilhão, levando a margem bruta a um avanço de 4,4 pontos percentuais, para 15,7% no período. O lucro bruto subiu 33% no intervalo, para R$ 326 milhões.
As ações da Gol fecharam o pregão de ontem na Bovespa com baixa de 1,3%, a R$ 8,41.
Na semana passada, a Latam Airlines, holding formada pela fusão entre chilena LAN e a brasileira TAM, informou que em maio o tráfego doméstico da empresa subiu 7,5%, após uma redução de 11% na capacidade. Como consequência, a taxa de ocupação subiu 13,5 pontos percentuais e chegou a 78,4%.
Fonte: Valor Econômico








