A montadora chinesa Chery, que atualmente está investindo US$ 400 milhões numa fábrica de automóveis em Jacareí, no interior paulista, informou ontem que também planeja produzir motores no país.
O novo investimento já foi autorizado pela matriz do grupo na China, mas ainda falta definir quanto será desembolsado no projeto, assim como a capacidade da linha, informou o vice-presidente e diretor comercial da Chery no Brasil, Luis Curi. Ele discutirá esses pontos em viagem que fará à China na semana que vem.
“Minha preocupação era primeiro ter a decisão. Agora, vamos definir detalhes, mas não tenho um valor que eu possa ‘chutar'”, disse Curi. Ele adiantou, contudo, que a fábrica de motores vai equipar tanto os carros produzidos no complexo industrial que está sendo erguido em Jacareí como a linha que monta o utilitário esportivo Tiggo no Uruguai.
Só no interior paulista, onde pretende concluir a fábrica até o fim do ano, a Chery terá capacidade de produzir, em três turnos, 150 mil carros por ano, a começar pelo compacto Celer. Curi confirmou que um subcompacto também será fabricado no local já no primeiro trimestre de 2014.
O executivo informou que “muito provavelmente” a unidade de motores ficará perto da fábrica de carros. A ideia é produzir duas famílias de propulsores: 1.0 – utilizados nos chamados carros populares – e uma linha para os carros 1.5.
A iniciativa da Chery está inserida no contexto do novo regime automotivo, que levou uma série de montadoras a acelerar projetos de nacionalização de componentes para ter os descontos no Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) previstos pelo programa.
Além da fábrica de motores, a marca negocia a vinda de sete fornecedores chineses ao país para a fábrica de carros. Ontem, executivos da Fiat e da PSA Peugeot Citroën também falaram de suas estratégias na localização de componentes durante fórum da indústria automobilística organizado na capital paulista.
Carlos Gomes, presidente da PSA na América Latina, disse que já tem seis novas empresas confirmadas para o segundo parque de fornecedores que a montadora está desenvolvendo no entorno da fábrica de Porto Real, no Rio de Janeiro. A lista inclui a Faurecia (escapamentos) e a IPA (tanques de combustível), além da Plascar e da Plastic Omnium, fabricantes de parachoques.
Por sua vez, Antônio Damião, diretor de desenvolvimento da companhia italiana, informou que a montadora terá 14 empresas dentro do parque de fornecedores da fábrica que está sendo construída em Goiana, no interior de Pernambuco, onde serão produzidos 250 mil carros por ano. “Esses fornecedores estarão operando dois meses antes do início da produção dos carros”, disse o executivo.
Ao avaliar o impacto da política automotiva, Paulo Butori, presidente do Sindipeças, a entidade que representa os fabricantes nacionais de componentes automotivos, afirmou que o novo regime beneficiará as empresas do setor.
Porém, ele cobrou maior celeridade na implantação do programa, que ainda depende de regulamentações, como a rastreabilidade da origem das autopeças usadas na fabricação dos carros. A expectativa é de que essa regulamentação seja anunciada no prazo de dois meses.
“O governo precisa colocar o programa para rodar. Poderemos, assim, corrigir eventuais problemas e trabalhar um Inovar-Peças [regime especial ao setor de autopeças] em paralelo”, afirmou Butori.
Valor Econômico








