O setor automotivo está de olho no Brasil, que pode se tornar, nos próximos anos, o terceiro maior mercado mundial de veículos. Várias montadoras já anunciaram suas intenções de implantarem fábricas no País recentemente, mas o Ceará, que já há algum tempo vem brigando para garantir uma planta de grande porte em seu território, ainda vem sendo preterido, mesmo para outros estados nordestinos. Na última semana, o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel, adiantou que cinco ou seis montadoras devem aportar no País nos próximos três anos, e o Estado deve entrar na disputa por uma delas.
Uma dessas novas fábricas é a da BMW, que já decidiu por Santa Catarina, que irá receber, em seu município de Araquari, um investimento de cerca de R$ 1 bilhão. O ministro não divulgou, contudo, quais seriam as outras montadoras interessadas em se instalar no Brasil, nem que estados estariam sendo cogitados.
Ainda este mês, a chinesa JAC Motors iniciará a construção de sua unidade em Camaçari, Bahia, que está orçada em cerca de R$ 900 milhões. Já há alguns anos ventilava-se a possibilidade de a empresa se instalar no País, e o Ceará chegou a ser um dos citados como possíveis contemplados com a planta. Outra disputa que o Estado perdeu foi com a também chinesa Chery, que está em fase avançada de instalação no município de Jacareí, em São Paulo.
Atualmente, o Ceará conta com uma fábrica da Troller e tem em instalação uma da TAC Motors, ambas de menor porte e focadas em um nicho especializado, o off road.
Além da Bahia, que já havia entrado nesse mercado em 2001, com a fábrica da Ford, Pernambuco também ganhou seu espaço no segmento, com a entrada da Fiat, que está instalando no município de Goiana um complexo fabril orçado em R$ 4 bilhões, que inclui a montadora, pista de testes, campo de provas (o único fora da Itália), centros de pesquisa e desenvolvimento e de capacitação e treinamento.
O governador Cid Gomes já havia chegado, inclusive, a se reunir com o ministro Pimentel, em abril último, para estabelecer uma proposta tributária diferenciada para agregar valor à lista de incentivos que o Estado pretende oferecer para trazer uma grande marca produtora de automóveis para o Ceará. Os benefícios, contudo, não chegaram a ser divulgados, por motivos estratégicos, como foi dito.
Superar o Japão – Atualmente, o Brasil é o quarto maior mercado mundial de veículos – atrás apenas do Japão, dos Estados Unidos e da China – e sexto maior fabricante. A expectativa do setor e do próprio governo brasileiro é de que nos próximos anos o País desbanque o Japão nesse ranking.
As projeções das montadoras é de um mercado anual de 5 milhões a 6 milhões de veículos até o ano de 2020.
“O Brasil tem condições de ser o terceiro maior mercado mundial, mas para isso terá de melhorar as condições de renda da população”, diz o consultor da André Beer Consult, André Beer. Em 2011, foram vendidos no País 3,6 milhões de veículos, e a previsão é de um crescimento de 3% a 5% neste ano.
Quase metade das vendas de automóveis no País são de modelos compactos, segmento que terá várias novidades no Salão do Automóvel deste ano, entre as quais o novo Clio que a Renault trará da Argentina e o Peugeot 208 que será fabricado em Porto Real (RJ). Os recém-lançados modelos Hyundai HB20 e Toyota Etios serão os destaques das duas montadoras asiáticas que acabam de inaugurar fábricas em Piracicaba e Sorocaba (SP), respectivamente.
As duas chinesas em instalação no País, JAC Motors e Chery, já se pronunciaram satisfeitas com o novo regime automotivo, um programa de incentivos para aumentar a competitividade do segmento nacional, lançado este mês pelo governo federal, e que entrará em vigor em 2013. O presidente da JAC Motors Brasil, Sergio Habib, afirmou à imprensa na semana passada que o regime “flexibiliza as severas condições atuais e garante as condições necessárias para dar o pontapé inicial à construção”.
Já a japonesa Nissan foi a primeira montadora habilitada pelo governo a operar dentro do novo regime, que é chamado de Inovar Auto. O novo regime, contudo, não traz benefícios específicos para a região Nordeste, o que, para alguns analistas, faz com que a região perca em competitividade na atração de plantas industriais para o Sul e Sudeste, mais próximos dos principais mercados consumidores.
Diário do Nordeste – CE

